sábado, fevereiro 13, 2016

Morte do Amor

Imagem: Lovedeath By VvBornOfDesirevV On DeviantArt


Morte do Amor
por Ana Marques

... matei o amor que me matava.
Não houve bala, nem ruído.

foi faca no coração certeiro
não desmanchei o cabelo
e nem sujei o meu vestido

... matei porque estava na hora errada
no dia suspenso, no fogo cerrado
e no caminho do que serei
era uma pedra, uma rocha, uma mata fechada
e um abismo que atravessei

... matei porque esse amor era asfixia
suas garras sangrando na minha camisa
e toda aquela dor me atormentava
como um romance suicida
ora me enlouquecia, ora me dilacerava

... matei esse amor tresloucado
matei esse amor sem palavra
matei esse amor sem sentido
matei, sem mexer no cabelo
matei, sem sujar o vestido.

(poema feito em 13/02/2015)

sexta-feira, outubro 30, 2015

Fronteira


Fronteira
por Ana Marques
Existem palavras que a gente não diz
e a liberdade é um ato falho.
Meu coração na fronteira
se perdeu
mundos enfureceram em fogo
e dor
... e não há cor
no rosto que apague
o que ficou
esperando no tempo.
Não há um dia
em que eu não procure
o rosto do fim do mundo
dos limites que ficaram
esquecidos de voltar.
De mala na mão
corpo coberto
frio nos cabelos
gelo no peito
eu corro ruas
cidades obscuras
dias e noites sem lua
à tua procura.
A busca de um lar
sem nunca encontrar.
Imagem: Go, by CasheeFoo

quinta-feira, outubro 01, 2015

Perdida



Perdida
por Ana Marques

… algo em mim se perdeu
alma num beco, num breu
tão fora de mim
tão fora de si

não sei mais quem sou
porque todo esse movimento
nem é pra fora ou pra dentro
é um sacudir-se
para ver se encaixa no lugar.

Não há espaço pra esse desgosto
Nem um rosto
com tanto desconforto
só um ai perdido no peito
um tique caído e nervoso

Só há um querer que já foi desmedido
hoje é partido
trêmulo
e exposto.

é o que seria, mas nunca será
uma dor que não cessa de machucar
um fim que não chega
e um começo que se esqueceu
de começar.

sábado, fevereiro 07, 2015

Meu amor




Meu amor
por Ana Marques

Meu amor,
nunca fui tão dura contigo
como durante o afastamento
o tempo passado debaixo
de nossas incertezas
Fomos além de todas as inteirezas
e assim
fomos metade

e mesmo quando grassavas ser a minha metade
metade de amor, metade de sonho, metade paixão
piscava um imenso não
um buraco, um descanso, uma escuridão
um nada que completava
minha metade solitária

eu vivia teus arroubos com tanta intimidade
que me sentia sua
sendo você
mas era tanta coragem roubada
tanta carne desprotegida
tanta ganância, tanta ironia
que me ficava eu:
cabeça oca, alma vazia.

Meu amor,
nunca fui tão dura comigo
quanto precisava para acordar dos seus sonhos
denegrir seus caminhos
para recuperar o meu rosto
desenhar meu destino
e tão absorta de mim
me perdi nesses teus olhos
e adiei os meus passos
tão necessários para que meu esboço
se tornasse retrato.

Meu amor, não diz até mais
mas eu fui ali
recuperar esse eu
essa alma que se rompeu
não me espera acordado
nem vigia minha volta
que de certos caminhos
a gente não retorna.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Tempestade



Há tanta dor nesse peito
pronta para estourar
não tem tempo,
não tem sossego
é tempestade arrebentando no mar

E eu que fui rocha
vejo-me a mercê dessa tormenta
em desatinos.
Eu que já fui montanha
deformei o corpo em erosão
e detritos.
Eu, que moldei-me em gelo,
vi levantar-se o sol
desfazendo-me.

Não tem gelo que não se derreta
Não tem pedra que não recue
Não tem coragem que não esmoreça

na sua quietude.

Feito noite adentrou os meus sonhos
Feito norte mudou o meu rumo.
Minha existência em você.

Na sua foz escondi os meus medos
Desafiei destinos, tecendo receios
e criei supernovas de sete tons.

Não descobri, no entanto, os seus segredos.
Entreguei o coração para dormir no seu peito.
Minha vida esperando você.

E na noite, sem o balançar dos meus ventos
no vazio que deixei, enviou-me o seu mensageiro 

...

Fiquei ali. Eu, a noite e o seu silêncio.

(Há tanta dor nesse peito
pronta para estourar
um segundo, um descuido
é tempestade arrebentando no mar)

sexta-feira, outubro 05, 2012

Menos nós.

imagem: Ausência, por d0nasd0gama


Está tudo em nós
nas linhas não escritas
oriundas de sonhos
(ir)realizáveis

Está tudo aqui.
Esperando o dia
a noite
a vida.

Está tudo aqui.
...menos nós.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Ciclones



Não venhas
se não desejas.
Mas não inventas
ausências 
para teu decoro.
Se o toque
parece confuso
conserva-te mudo
e eu espero.
Não gasta teu verbo,
teu sangue, teu credo
com o que não queres
desvendar.
Não cria distâncias 
para tuas idas
que já vejo teus olhos
perderem o foco
em ciclones de ar.

quinta-feira, março 15, 2012

Se

imagem: Zemotion

‎... e se realidade
superar a fantasia
como farei para que
o distanciamento (prometido)
supere a saudade (sentida)?

... e se o tempo
carrasco dos intentos
(tão nossos)
magoar nossa vontade
com a ausência?

... e se tudo se perder
em dificuldades
extremas?

... e se
tudo ficar
no se?

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Encontro



Eu não chamarei o teu nome 
enquanto fores fogo 
futuro. 

Não acalmarei tua mão na minha 
... se o teu toque esti...

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Lobo Mau



Eu quero um lobo mau
(bem mau)
pra chamar de meu.

Não precisa ser pra sempre
(que pra sempre é conto de fadas)
mas tem que dar o bote
na hora certa.

Ou não será
mau como eu preciso.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Miragem



Quase uma miragem
e eu o vejo dissolver
... tal fumaça sem corpo
[aparente]
sem mãos
para alcançar-me.

... e eu sonho delírios
que desconheço
vou criando caminhos
e atalhos
num quarto de despejo.

Aonde guardo nossa história.
Nosso querer desconhecido
e escondo os abraços
[que não dei]
amarrados aos beijos
[que escondi]
à porta fechada.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Precipício


Não usarei minhas mãos
para impedir teu caminho.

[seja para o vício
 ou para a cruz]

Não impedirei desvios
nem farei da minha boca
o teu juízo.

Antes levarei teu peito
ao precipício.

Não colocarei limites
na tua cobiça
e da tua ira
farei sobremesa
a me enlamear

Na tua gula
serei a mais pura
a mais infame das iguarias
derretendo na tua língua.

Pode chamar-me tentação
de diabo, de vulcão.
Pode chamar-me quando desejar
esquecer
toda a razão.

sábado, dezembro 31, 2011

Marcas passadas



Seriam essas as marcas?
As marcas de um monstro,
riscado nas veias e no rosto,
transbordante em mim?

E o que mais transbordaria?
O quê deveria existir?

Seriam esses esgotos,
retalhos do que restou?
Evidências do suposto crime,
da defesa que criei?

Defesa que me escapa.
Réu de quem me tornei?

O sangue que se espalha
[ainda posso ver as marcas!]
arrastado pelo chão
pingando em vãos. E vão.

Vão secar no tempo que passa.
E passaria.

Não era para ser assim?

Pudesse eu ser diferente
em ponto mostraria uma vírgula.
Uma piada, e ela não rimaria.
...destoaria dos lábios, presos na Poesia.

Que graça teria?
E era para ter graça?

Ah...

Sangue que marca o caminho
De outros, outros tantos...
Líquido derramado de pranto vermelho
relaxados, ritmados, obscenos.

Insistem em existir.
Mas algum dia, eu não fui assim?

Suspiraria todo um dia
pela chance de não ser marcada 
da alegria de não ser pequena.
Enxergar a dor, onde vejo um drama

Sutil, pueril. Onde está a força?
Vêem chama e vejo futilidade.

Onde foi, todos os Deuses me ouçam,
onde foi que perdi a sensibilidade?
Onde ficou o dormente umbigo 
centro do meu prazer, juiz do meu brio?

Incapaz de ver a mim!
Mas seria meu juízo, quem mais me veria?

Ah...

Não. Nada há para assistir.
A televisão fechou as cortinas essa noite.
E meus olhos apagaram as luzes do sotão.
As marcas se vão.

Os gatos pardos na noite merecem seu requiém
As corujas tem suas patas vazias.
E árvores balançam com a ventania.
Vou ali, onde posso ser a alma da minha vida.

Sozinha.

domingo, maio 01, 2011

A Tua Parte

imagem: emsvangoth

Eu sou a tua parte
mais intensa,
quixotesca
e desestruturada.

Desemboco
na tua boca
em dias santos
e dias loucos.

E enquanto for
a parte distraída,
mais serei tua
a cada dia.

sábado, abril 09, 2011

Passageira das estrelas


A felicidade é sonho,
a madrugada é breve
e eu sou passageira das estrelas
com caminho definido
para nenhum lugar.

Sou flecha cortando
o horizonte.
Tão longe verás
que parti sem estar aqui
e que chego sem estar lá.

Sou movimento que feito,
não existe.
Sou um sonho,
dentro de um sonho.
A passageira das estrelas
sem parada, sem lugar

Sou luz que não acende.
Que acesa, não ilumina.
Que cega-te e serpenteia,
sobe pela tua espinha,
arrepia a tua orelha,
afoga tua solidão.

Sem nunca sair
de onde estava e
sem alcançar-te
toco o teu rosto
acaricio e mostro
a poeira das estrelas
no caminho
que não terminei de traçar.

A passageira de estrelas
que permeia tua presença
e diz adeus,
(desaparece nesse adeus)
mas continua lá.