Quinta-feira, Março 15, 2012

Se

imagem: Zemotion

‎... e se realidade
superar a fantasia
como farei para que
o distanciamento (prometido)
supere a saudade (sentida)?

... e se o tempo
carrasco dos intentos
(tão nossos)
magoar nossa vontade
com a ausência?

... e se tudo se perder
em dificuldades
extremas?

... e se
tudo ficar
no se?

Terça-feira, Fevereiro 07, 2012

Encontro



Eu não chamarei o teu nome 
enquanto fores fogo 
futuro. 

Não acalmarei tua mão na minha 
... se o teu toque esti...

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

Lobo Mau



Eu quero um lobo mau
(bem mau)
pra chamar de meu.

Não precisa ser pra sempre
(que pra sempre é conto de fadas)
mas tem que dar o bote
na hora certa.

Ou não será
mau como eu preciso.

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

Miragem



Quase uma miragem
e eu o vejo dissolver
... tal fumaça sem corpo
[aparente]
sem mãos
para alcançar-me.

... e eu sonho delírios
que desconheço
vou criando caminhos
e atalhos
num quarto de despejo.

Aonde guardo nossa história.
Nosso querer desconhecido
e escondo os abraços
[que não dei]
amarrados aos beijos
[que escondi]
à porta fechada.

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Precipício


Não usarei minhas mãos
para impedir teu caminho.

[seja para o vício
 ou para a cruz]

Não impedirei desvios
nem farei da minha boca
o teu juízo.

Antes levarei teu peito
ao precipício.

Não colocarei limites
na tua cobiça
e da tua ira
farei sobremesa
a me enlamear

Na tua gula
serei a mais pura
a mais infame das iguarias
derretendo na tua língua.

Pode chamar-me tentação
de diabo, de vulcão.
Pode chamar-me quando desejar
esquecer
toda a razão.

Sábado, Dezembro 31, 2011

Marcas passadas



Seriam essas as marcas?
As marcas de um monstro,
riscado nas veias e no rosto,
transbordante em mim?

E o que mais transbordaria?
O quê deveria existir?

Seriam esses esgotos,
retalhos do que restou?
Evidências do suposto crime,
da defesa que criei?

Defesa que me escapa.
Réu de quem me tornei?

O sangue que se espalha
[ainda posso ver as marcas!]
arrastado pelo chão
pingando em vãos. E vão.

Vão secar no tempo que passa.
E passaria.

Não era para ser assim?

Pudesse eu ser diferente
em ponto mostraria uma vírgula.
Uma piada, e ela não rimaria.
...destoaria dos lábios, presos na Poesia.

Que graça teria?
E era para ter graça?

Ah...

Sangue que marca o caminho
De outros, outros tantos...
Líquido derramado de pranto vermelho
relaxados, ritmados, obscenos.

Insistem em existir.
Mas algum dia, eu não fui assim?

Suspiraria todo um dia
pela chance de não ser marcada 
da alegria de não ser pequena.
Enxergar a dor, onde vejo um drama

Sutil, pueril. Onde está a força?
Vêem chama e vejo futilidade.

Onde foi, todos os Deuses me ouçam,
onde foi que perdi a sensibilidade?
Onde ficou o dormente umbigo 
centro do meu prazer, juiz do meu brio?

Incapaz de ver a mim!
Mas seria meu juízo, quem mais me veria?

Ah...

Não. Nada há para assistir.
A televisão fechou as cortinas essa noite.
E meus olhos apagaram as luzes do sotão.
As marcas se vão.

Os gatos pardos na noite merecem seu requiém
As corujas tem suas patas vazias.
E árvores balançam com a ventania.
Vou ali, onde posso ser a alma da minha vida.

Sozinha.

Domingo, Maio 01, 2011

A Tua Parte

imagem: emsvangoth

Eu sou a tua parte
mais intensa,
quixotesca
e desestruturada.

Desemboco
na tua boca
em dias santos
e dias loucos.

E enquanto for
a parte distraída,
mais serei tua
a cada dia.

Sábado, Abril 09, 2011

Passageira das estrelas


A felicidade é sonho,
a madrugada é breve
e eu sou passageira das estrelas
com caminho definido
para nenhum lugar.

Sou flecha cortando
o horizonte.
Tão longe verás
que parti sem estar aqui
e que chego sem estar lá.

Sou movimento que feito,
não existe.
Sou um sonho,
dentro de um sonho.
A passageira das estrelas
sem parada, sem lugar

Sou luz que não acende.
Que acesa, não ilumina.
Que cega-te e serpenteia,
sobe pela tua espinha,
arrepia a tua orelha,
afoga tua solidão.

Sem nunca sair
de onde estava e
sem alcançar-te
toco o teu rosto
acaricio e mostro
a poeira das estrelas
no caminho
que não terminei de traçar.

A passageira de estrelas
que permeia tua presença
e diz adeus,
(desaparece nesse adeus)
mas continua lá.

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2011

Seca


Vou viver tudo
e chorar tudo.
Até secar
os olhos,
a vida,
...você.

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2011

Tempo, no blog Falópios.

Hoje publico na revista eletrônica feminina "Falópios"



Curtam a poesia: "Tempo"

e me contem.

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2011

Dons e Maldições

Imagem: evilmuffins

Existem dons
e maldições.
Escrever é dois
em um.

Amaldiçoada
escrevo nas madrugadas
o que (nem) sempre
sinto.

E o dom renega
o cansaço e a entrega
tomando apenas:
no corpo a caneta,
na mente a rima,
no coração a imagem.

Forma um retrato
(incompreensível)
do que vejo
e não sei pintar
só (mal)dito.

***

Em resposta ao desafio proposto pelo amigo Marcelo Mayer através da pergunta "Por que escrevo?". Como sou pessoa de sorte, tenho a companhia, nessa empreitada, dos amigos e escritores: Menina Misteriosa, Carriço, Paulo Fodra e Rodolfo Lima.

Terça-feira, Fevereiro 08, 2011

Dissociação

imagem: Ameralie

Não me dês um beijo
se não podes lidar
com meu desejo.

Não quero um!

Porque eu sou muitas
concentradas
em mim.

Quinta-feira, Janeiro 27, 2011

Inspiração

imagem: buzillo

Não sei qual verso,
dos que seriam meus,
te pertence.

Dos que danço
ou rimo.

Em qual ritmo
tua alma espelhada
me encontra?

Sexta-feira, Janeiro 07, 2011

Entrega


Não entreguei
meus segredos
[quiça meus devaneios]
ou o sonho
que tive com você.

Não fiz
os carinhos devidos
nem os anseios
permitidos.
Até mesmo neguei
a saudade que tive de você.

Não mandei
os beijos merecidos
não me espalhei em você
como eu queria...

Ainda.

Sábado, Janeiro 01, 2011

Caçada


imagem: t0x1c-d0LLy

Escuto!
O grito da caça.
O tiro do caçador.

Falta chegar
...ao fim da corrida
e definir o que sou.

Se o sangue da caça
ou a morte nas mãos
do caçador.