terça-feira, agosto 17, 2010

Esquece, Chapeuzinho


Por Ana Marques

Esquece, Chapeuzinho.
Não há sangue suficiente para nós dois.

Teu corpo dormente, resistente, quase arredio,
ainda tão jovem,
treme de vontade

e arde de desejo
por um fio.

Esquece, Chapeuzinho.
A capa arrancada, com sangue manchada,
escondida de nós

é prova, testemunha
de que és tão imunda
quanto eu.

Esquece, Chapeuzinho.
As divisões que fizemos.

Os membros desfeitos, dilacerados, ainda tenros
que devoramos juntos.
O acordo selado não será violado.
Será desfeito.

Limpa teu corpo, recolhe tuas roupas.
Chapeuzinho, esquece esta fome
e volta à tua casa.
Terás em mim o culpado e o cúmplice,
o que devorou tua humanidade.

À meninice roubada,
eu te devolvo a inocência.

Volta para tua vivência, para teu dia a dia.
Sem sangue, suor e sem este clamor.
Volta a sentir apenas o sabor
dos aromas normais, da vida sem sangue

e sem sal.

*poesia originalmente postada no blog Palavra Porrada

quarta-feira, agosto 11, 2010

Decisão, na Confraria

Hoje...

eu estou na Confraria dos Trouxas!


Leiam: Decisão