terça-feira, junho 08, 2010

Engano


Cadê o seu rosto?
e aquele monstro que
dizia viver em você?
Onde o escondeu?
Por que o afogou
no desespero
de não ser e não
reconhecer o desconhecido
em si mesmo?

Quais as mentiras
que contamos pra nós?
Quais as desculpas
que nos demos
pela nossa ausência?
A presença na cama,
no dia [que não termina] e
na noite [que o desejo]
não alucina.

Ah, as expectativas
das suas palavras
são nuas de sentido
e seu dilema é vazio
de significado.
O sexo, poderia ser bom,
é o fim.

Seus olhos me olham
incapazes de me ver.
Se eu o chamasse...?
E quase que o chamo.
Mas só digo...
é engano.
Sussurro, ao telefone,
no seu ouvido:
ela não mora aqui.

Ana Marques