quarta-feira, abril 26, 2006

O Sol e a irradiação do Amor


Soneto do amor total
Vicícius de Moraes


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Rio de Janeiro, 1951
in
Novos Poemas (II)
in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

Interpretação: O Sol - o grande Arcano do Amor - irradia nesse poema através da liberdade, da força, da paixão e do calor que esses versos possuem. Muitas vezes quem estuda o tarô tem dificuldade para encontrar quais arcanos falam de amor, e se prendem ao nome sugestivo do Arcano VI (Os Amantes ou O Enamorado), se esquecendo que aquele que retrata a união perfeita entre dois seres é o que mostra duas crianças perfeitamente integradas numa união que vai além do físico e do convencional. O amor é assim, tal como a simbologia expressa do Sol, ele arde num mistério eterno que não se sabe de onde vem ou para onde vai, mas que nos faz feliz de uma forma que apenas as crianças parecem saber ser: sendo.

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