terça-feira, agosto 15, 2006

Nós, o homem
Anderson Braga Horta

Mineiro noturno, escavo
minhas minas de angústia.
Uma luz na testa –
um caminho, antolhos, parede de pedra.
Uno e múltiplo,
solidário e solitário, respiro
pó e treva. E esperança.
Escavo a terra,
mas de mim mesmo extraio as minhas gemas.
Elas brilham no escuro,
iluminam meus medos e meus tédios,
minha força e minha fé.
Ajo e contemplo-me.
Escavo, escravo: de antever-me
lavado em névoas matutinas.
E vou, retórico e despido,
a caminho de mim.

Fonte: Fragmentos da Paixão, Anderson Braga Horta, Massao Ohno Editor, 2000

Uma poesia retrata a alma, o coração e os desejos de quem a escreve. Senão o que o poeta sente, o que imagina sentir ficam nas linhas e entrelinhas dos poemas. Aqui, suave e ponderado, o Eremita dá o ar de sua graça mostrando tudo que podemos tirar de dentro de nós, quando usamos a luz que reservamos para encantar aos outros, para iluminar a nós mesmos. A luz é movida internamente, e incansável o poeta-Eremita cava em busca de suas próprias jóias, do que está escondido até de si mesmo. Ele busca o seu brilho, e nesse caminho a escuridão e a solidão são bençãos para que ele possa enxergar os veios secretos de uma verdadeira mina de ouro.

2 escritos:

Tir Duan disse...

Oi moça!
Há quanto tempo...

Gosto muito do que vc escreve. Mas gostei mais ainda ao ver um poema de meu tio e padrinho (de quando ainda era cristã), postada em seu blog. Me senti muito feliz e orgulhosa. E, obviamente, sou uma sobrinha coruja... hehehe...

Um grande beijo, em vc e nos filhotes!

Tir Duan (Mel)

Tatiana Mamede disse...

Oi minha linda!

O Eremita, que tanto me foi espinhoso... Ainda encontro dificuldade em vê-lo assim, reverberante de conhecimento, quase sempre o que cala em mim é a sua solidão, mas aos poucos, e cada vez mais, estou conseguindo encará-lo como companheiro e amigo ao invés de castrador e carrasco.

Beijos de quem também muito ama você ( eo Bran maisi fofa da dinda!)