quarta-feira, agosto 23, 2006

O APEGO AO PASSADO - NOSTALGIA QUE MATA

O AMOR ANTIGO
Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede.
Nada espera,mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o amor antigo, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.

Em "Amar se Aprende Amando"


O poema é lindo, bem construído, e até suave - considerando o estilo por vezes ácido de Drummond - no entanto, ele mostra algo sobre o qual desejo falar e vejo acontecer com uma certa frequência: a incapacidade de seguir em frente. É comum ver muita gente - mulheres principalmente - se agarrar a um amor inesquecível. Aquela história de que um grande amor jamais poderá ser substituído, que "almas-gêmeas" se encontrarão numa próxima vida, quando os "obstáculos insuperáveis" da atual não existirem mais...

Bah!

É um blá blá blá piegas e sem fim. Uma desculpa estapafúrdia para escapar da pobreza e da mediocridade por meio de uma idealização. Afinal, lá atrás não deu certo. Imaginar que tudo é lindo agora não é uma FUGA?

Acho compreensível que essas pessoas optem por esse modo de agir. Vai que, de repente, o casamento é morno, o dia-a-dia é sem sal... Elas estão em busca de um tempero. O problema é que vão buscá-lo no álbum de fotografias. Numa atitude covarde, deixam de ir ao ponto onde as coisas realmente deveriam ser modificadas e correm atrás de um futuro montado a partir de peças que a vida já se encarregou, há tempos, de tornar gastas e esmaecidas.

Conheço a história (verídica!) de uma moça que depois de anos separou-se do marido e foi atrás do namorado de adolescência. Seria engraçado, se não fosse ridículo... O homem, casado e com filhos, ficou surpreso de encontrar essa figura de seu passado à sua porta (sentido figurado, claro!). Mais surpreso ainda ficou ao descobrir que a criatura tinha cultivado um sentimento de amor por ele, e que assim que o casamento tinha acabado, havia decidido ir atrás do seu "grande amor". É mais que óbvio que o amor estava apenas na cabeça dela - cansada que estava da própria vida e de uma realidade sem sabor - e o homem por sua vez não tinha a menor idéia disso, pois tinha feito com a própria vida, o que ela devia ter feito com a dela: seguido em frente.

O que estava errado nessa história? Não se pode recuperar um grande amor?

Não é bem assim. Claro que se pode. Todos podemos, um dia ou outro, tropeçar em alguém que foi importante e numa sequência natural de encontros, conversas e papos, descobrir a pessoa que ela é hoje e nos apaixonar. Tudo natural, lindo, perfeito. Principalmente porque o conhecimento, a troca de idéias, a sedução do outro acontece novamente. É um novo encontro, um novo amor, uma nova relação. O passado existe para ser compartilhado, mas não é a tônica do que acontece, sendo - quando muito - o gatilho que disparou o interesse.
Porém, estou tratando aqui de outro assunto. Voltando à história que contei, essa moça cometeu alguns "deslizes" em sua vida. Ela deixou de viver o que tinha, para sonhar com o que não tinha. Com os anos passando, e a realidade a cada dia mais despojada de emoção, ela concentrou fortemente seus sentimentos e fantasias nas lembranças que guardava e enalteceu o passado em detrimento do presente. Em vez de investir em fazer da própria vida, a melhor vida possível para si mesma, conformou-se com a realidade enquanto sonhava com o passado.

Dessa forma, quando até a realidade que tinha lhe foi tirada, ela correu para os braços que esperava - romanticamente - estarem abertos... mas o que encontrou foi o vazio. O rapaz tinha uma vida feita, e dificilmente abriria mão dela em prol de uma sessão "vale a pena ver de novo".

No entanto, vamos dizer que os braços estivessem abertos, e que o rapaz também tivesse mantido um sentimento inacabado referente a essa relação. O que ambos encontrariam? O vazio, novamente. Apesar do que foram, não são mais as mesmas pessoas. As experiências, alegrias, tristezas, fracassos, perdas e sucessos os modificaram eternamente. Eles não se conhecem mais, não entendem mais um ao outro. Encontrando-se, estão à procura do fragmento de um passado distante e perdido para sempre. O primeiro encontro, o das reminiscências, pode ser estimulante. O segundo encontro, o de matar as vontades, pode ser extremamente prazeroso. Porém, o terceiro encontro será aquele em que ambos verão um ao outro como estranhos.

O reencontro terá passado, as lembranças já terão sido compartilhadas, as notícias dadas... e se não houver uma química no presente entre essas duas pessoas novas, elas se olharão sem reconhecer uma na outra a pessoa que despertou tanto amor, desejo e saudade. Começarão a enxergar os defeitos, as mudanças, e muitas vezes, as diferenças inconciliáveis na visão de vida. Um adolescente meio-hippie, romântico e frequentador de igrejas pode ter se tornado um homem intelectual cético bem-humorado. Uma adolescente apaixonada, insegura, baladeira e rebelde pode ter virado uma mulher independente, alegre, chique e religiosa. Ele vai procurar a baladeira, e ela vai tentar encontrar o frequentador de igrejas. E entre comentários descrentes e mensagens sobre o poder da oração, a distância entre o passado e o presente vai aparecer.

Histórias assim têm fim, e rápido. Quando não decepcionante.

Porém o interessante disso tudo é o que motiva esse apego ao passado. O porquê de determinadas pessoas se sentirem incapazes de continuar sua vida depois que uma fase dela é finalizada. Como se a esquina que foi virada tenha guardado em si toda a felicidade que um dia alguém tenha sido capaz de sentir. Vejo muitas pessoas que são incapazes de modificar e serem felizes no seu presente, buscando em fotografias velhas o entusiasmo perdido. Quase como se tivessem congelado no tempo, as imagens passadas repetem-se à exaustão. As histórias não se modificam e a felicidade é algo que ficou para trás.

Não existe como me convencer que isso é um processo saudável, que é o que chamamos de "saudade gostosa". Porque a saudade gostosa vem bater à porta de nossa memória e traz um sorriso fugaz, mas a vida continua. E continua bela ou problemática, mas realmente continua. A saudade não nos torna reféns, não cria laços indissolúveis e nem nos consome na culpa. A culpa, por si só, mostra o quanto essa saudade que assombra está emaranhada em sérios problemas.

É mais fácil se ater ao passado, do que apostar no presente. Para viver o hoje, é preciso coragem. E os apegados ao passado são covardes por natureza.

Acreditam que perderam algo e vivem de remoer a ferida, escondida da sociedade sob o manto de uma falsa harmonia, mas supurando no íntimo e impedindo que uma pessoa plena exista e crie seu próprio caminho: um novo caminho. Um caminho próprio sem o apego aos erros e às pessoas que não fazem mais parte da nossa vida. Livre dos grilhões de uma nostalgia que mata: mata o presente e consequentemente empobrece o futuro.

10 escritos:

Anônimo disse...

Meiga Maga,

Estive apaixonada por um homem durante 8 anos - sofri horrores quando ele me deixou. Logo eu, que não estava acostumada a levar "foras". Pois bem. Nos idos de 1986 levei um tremendo pé na bunda. E doeu pra caramba. Ele se acasou - por interesse - com uma garota muuuuito rica. Estive no seu casamento, do lado de fora da Igreja, chorando. Assisti os carrões chegando, vi o vestido de renda suissa da noiva, ele e o seu terno "summer". Chorei horrores. Desmantelei os céus. Chutei um poste. Em casa, acendi velas por todo o quarto, pedindo, ardentemente, que se aquele amor não fosse verdadeiro, que acabasse tão rápido como começou. Como se eu não soubesse.

Pois bem. Destronquei a perna, tive uma doença estranha da qual não me lembro o nome, emagreci diversos quilos. Somatizei. Um mês depois vou jantar com um amigo quando encontro, numa das mesas, uma moça que alegremente me saudou:

- Ei,querida! Não lembra mais de mim?
Eu, sem jeito porque não lembrava mesmo, disse:
- Seus cabelos estão diferentes, não estão?
- Hum...apenas algumas "luzes". Mas enfim, já sabe das novidades?
Nessa hora, a ficha caiu. Uma das melhores amigas dele, a quem eu só tinha visto uma vez.
- Sim, eu sei, ele se casou.
- Ei, essa é velha. Ele acabou de se separar. E pediu anulação do casamento.

Nessa hora, um raio transpassou meu cérebro e veio, incontinenti, rasgar meu coração. Corri para o banheiro. Esmurrei as paredes de felicidade e tristeza. Tristeza - porque eu sabia que ele havia me trocado por alguém que não amava. Felicidade - porque ele assim, ainda poderia ser meu.
Bati a cabeça na parede diversas vezes. Até hoje me assusto quando lembro disso, dessa reação tão forte, tão visceral.

Resumo da ópera: encontrei com ele algumas vezes. Ele estava ressabiado, quase paranóico. Porque os advogados, porque os detetives. Meses depois, embarcou para o exterior. E lá ficou, durante longos 8 anos.

Longos 8 anos nos quais tive diversos relacionamentos. Ele sempre na cabeça. Ele sempre fazendo meu coração disparar. Eu o comparava com todo e qualquer homem que aparecesse no caminho. Orgasmos como aqueles? Nunca mais. Alguém que me pegasse no colo e me rodasse como se eu fosse uma pluminha? Nunca mais. Um homem assim tão bonito? Nunca mais.

Estava pior que o corvo do Edgar Allan Poe. Sempre sonhando. Sempre comparando. Sempre reclamando que a vida tinha me tirado a alma gêmea, meu homem "sonho de consumo. Aquele deus. Aquele Apolo.

Oito anos depois ele volta. Encontra minha família em uma feira. Pede notícias minhas.
- Ah, ela está bem, responde minha mãe, já ansiosa para chegar em casa e me contar a baita novidade. Combinou de ir lá casa, depois de um telefonema no qual eu tremia mais que vara verde. Um almoço em família.

Fiquei horas me produzindo para parecer "bem e normal". Só Deus sabe o quanto fiz para ficar maravilhosa dentro de uma macacão jeans. Um top de cetim branco. Tênis. Perfume levinho. Maquiagem de quem não usa nem um pingo de maquiagem. Tudo muito calculado. A deusa me sorria: estava na minha fase "platinum blonde", malhada, queimada de sol. Ele demorou, fez fita. Eu escondida atrás da cortina. Quando ele chegou, fugi para o último andar do prédio, caberia bem também me "atrasar". Com aquele ar "nem tchuns" adentrei à sala de estar. Ele. Lindo. Enorme. Forte. Gostoso. Perfeito. Tonificado. O meu amor.

Me abraçou. Perdi o ar. Segurei a tremedeira. Nessa hora, em que o tempo parou, a frase bombástica, ao me agarrar as ancas: - Ei, precisa emagrecer um pouco.

O mundo caiu, torre abatida pelo raio. Mais-do-que-perfeita? Não é ser humano, é tempo verbal. O almoço transcorreu sem maiores. Ele falou diversas besteiras. E eu pensando: "- A troco do quê sofri por mil anos pensando nesse homem?" - e a vontade de me vingar correndo pelas veias. Tantas lágrimas. Tantas noites mal-dormidas. Tantos poemas (estes, ao menos, se salvaram).

Fim de almoço - hora da sobremesa. Um convite para ir até o meu apartamento. Mostrei-lhe um trecho em inglês que eu queria traduzido, na biblioteca. Peguei sua mão, levei-o até o quarto. Deite-me, lânguida como só pode uma blonde platinum, no colchão. Mostrei minha coleção de pedras. Ele, seduzido, passava mão pela minha perna, soltando os lábios. Tentação. Mas nessa hora eu já sabia que o meu amor de 8 anos tinha sido uma miragem. Restava a raiva.

Aprovei-me da situação e disse: - Você sabe o quanto sofri, o quanto me magoou? Ele se desculpou, ainda com a mão na minha perna. Lembrei rapidamente que seu irmão já estava chegando, que já devia estar buzinando ali na frente e a quem ele não deveria deixar esperar. Na saída, meu Apolo, o dono dos meus orgasmos, olhou para mesa da cozinha sobre a qual repousavam duas convidativas garrafas de vinho. Ele me abraçou e perguntou, grudado no meu ouvido: - Gata, vou tomar essas duas garrafas de vinho hoje à noite com você? Eu disse, saboreando cada letra, cada emissão vocal: - NÃO. Não vai.

Que prazer dos infernos, poder dizer não para ELE ! Que me olhou sem jeito, com cara de abobado. E foi-se embora.

Percebi naquela frase, em que ele segurava uma "gordurinha" inexistente, o quanto aquele cara era idiota. O quanto eu estava anos-luz à frente dele. O quanto uma imagem antiga pode se desfazer em uma miríade de segundos. Ele se liquifez na minha frente. Ele se esvaiu de mim.

Hoje, nada sobra deste antigo amor. O homem que eu amei tinha ficado em 1986. Aquele, que tinha voltado, era uma pálida imagem de quem eu, tão ardentemente, tinha amado. Guardo, carinhosa, a sua antiga lembrança. Que nem no poema de Drummond.

Não gosto de amor requentado.

com carinho,
Maga Meiga

Imperatrix disse...

Uiaaaa...
Tanto o post, qto esse coment acima dão o que falar...rsrsrs

Anônimo disse...

Ana, lembrei de muitas de nossas conversas com esse post... :)
Sinto aquelas lembranças não têm mais sofrimento, perderam totalmente o valor.... pq deixei de empobrecer o meu futuro com elas.
Obrigada por tudo mesmo! Beijo, Érika.

Anônimo disse...

Cara Ana Marques,

Nunca nos vimos, mas te leio de quando em vez. Vc. já foi melhor, minha filha. Mas vambora tricotar um pouco. Lembrar daquele homem lindo, maravilhoso, fiel e carinhoso que tivemos não tem nada de mais. Nada contra, quando a gente já teve um desses, é claro. Lembrar de coisas boas é bom, principalmente quando a vida, essa ingrata, nos reserva no futuro, ou no presente, um ogro anão, horroroso, mulherengo e, detalhe, claramente apaixonado por outra. Como uma criatura que conheci, sabe, a muito tempo atrás. Não é só com o passado que podemos manter relação doente. Com o presente também. Por exemplo, quando deixamos de olhar prá o nosso próprio umbigo, etc.

Era só isso, minha filha.

Verinha

Anônimo disse...

Verinha disse,

Mais tricô. Enquanto nao comça a novela, também gosto, sabe, aqui não tem tv paga, é na base do novelão. Minha filha. Bom mesmo é nao dependender de relacionamento, de homem. Só assim pintam os principes. De outra forma, é só sapão no brejo mesmo, como essa criatura que conheci, coitadinha. A pobrezita tinha a auto estima tão baixa que integrava um triangulo amoroso com o ogro e o carro dele. O ogro gostava de carro. Gostava mais do carro do que dela. E se essa pessoa não tivesse suas lembranças? Como suportar? A base de novela? Pode ser.

Verinha

Ana Marques disse...

... é
Imperatrix, você tem razão, o post dá mesmo o que falar!

Verinha, ogros só são interessantes quando casados com ogras, como em Shrek. Fora disso, cada um sabe o que faz da própria vida.
E como suportar a vida... bem. Eu não acredito em destino, mas acredito em escolhas. E acredito que a gente pode escolher não ter que suportar nada. Mas cada um com seu cada um...

O bom de ter opinião, é a liberdade de poder dá-la. Sinceramente? Não me importa em nada a sua, se eu já fui melhor ou pior, mas que gosto mais ainda de mim hoje em dia.

Thais disse...

Oi Ana, estava com saudades de voce e esse seu blog caiu como uma luva...
amei os textos...
amei tudo...
abraços e tudo de bom

Thais Drimel - a princesa de paus

Tir Na Duan disse...

Onde fica o limiar entre guardar as boas recordações do passado, como lembrança da nossa história (e lições aprendidas com ela) e a obsessão por esse mesmo passado?

Talvez a maioria das pessoas (principalmente as mulheres, independentemente se a "culpa" disso é a cultura de uma sociedade patriarcal ou não) não perceba quando escorregou demais no "túnel do tempo".

De qualquer modo, guardo meus alfarrábios de memórias preciosas, meu tesouro encantado de um passado bem vivido e não esquecido. Ok... algumas coisas eu faço questão de erradicar da caixinha de tesouros, seja por pirraça ou auto proteção. Mas, no geral, o saudosismo pelas coisas boas, como as rodas de cafuné nos jardins da escola, os bons amigos que se perderam nas trilhas do tempo, as aventuras amorosas de uma juventude despreocupada, é sadio e é gostoso.

Vivo meu próprio tempo. Vivo muitas coisas boas (e ruins também, tanto no presente, quanto no passado), mas não acho que meu passado é melhor do que meu presente e acredito que meu futuro será ainda melhor do que o último.

Memórias têm uma importância imensa para mim. Fazem parte da minha ancestralidade (somos os ancestrais de nossos filhos e netos, preservo minhas memórias para eles também!) e não me desfaço delas por nada. Tenho apego por meu passado sim... mas não desejo revivê-lo. O meu passado está exatamente onde ele deve ficar... no passado.

Beijos, moça linda!

Prince Cristal disse...

Ana Marques,
Gostei muito do blog e do jeito que aborda os temas.
Entendi suas ponderações, mas o Amor antigo que se refere Drummond não significa apego. Exatamente o contrário.
Nostalgia não foi feita para matar.
Boa semana.
Mano
Prince Cristal
Salvador-Ba

Ana Marques disse...

Oi povo,
eitcha que a Ishtar previu bem, está realmente dando o que falar o meu post.

Prince Cristal, o poema do Drummond foi apenas um ponto de partida. Até pela forma desprendida, em varíos poemas, que o Drummond fala do amor, seria impensável que ele escrevesse aquilo que descrevi em meu texto.

Mel (Tir Duan), é desse limiar - ultrapassado, violado, invadido - de que eu realmente trato. Guardar as recordações é algo maravilhoso, parar de respirar por elas é que não. Parar de respirar mata.

Thaís, que saudade moça! Veja se aparece! Obrigada pela visita.

Erika, você bem sabe do que falo, porque você viveu. E pelo que viu, bem sabe que eu mantenho a opinião de tempos atrás.

Beijos a todos!