sexta-feira, setembro 29, 2006

Primeiro Turno ou Segundo Turno?

Aos amigos participantes de fundos de pensão

Errou muito o governo Lula. Errou desde o início ao não investigar profundamente os 8 anos de FHC, preferindo a armadilha da "transição civilizada", ingenuamente aceita pelo novo governo. Errou ao dar seguimento à trágica política econômica - do PSDB - que aumentou a dívida interna e manteve a economia em relativo congelamento. Errou ao dar continuidade à política do governo anterior também na previdência complementar. A orientação do governo nessa área foi tímida frente às patrocinadoras, não raro covarde frente aos participantes, recusando-se até mesmo a cumprir decisões judiciais. Foi mantida a política de implantar planos de Contribuição Definida destituídos de natureza previdenciária. Essa postura do governo, tanto na área econômica quanto nas demais, foi conseqüência, também, da inércia dos movimentos sociais. O governo foi pressionado somente pela elite, não pelos movimentos sociais organizados.

Já havia definido meu voto por uma opção à esquerda ao atual governo. Entendia que, mesmo com poucas chances, era importante demarcar a perda de votos à esquerda pelo atual governo.

Mudei de idéia no decorrer da `última crise`. Surgiu um certo dossiê contendo denúncias contra o governo FHC. Imediatamente foi modificado o foco da imprensa e de toda a elite nacional para a suposta compra do dossiê, e não para o conteúdo do dossiê. Lula foi mais uma vez apunhalado exatamente pelos setores da elite que buscou cativar.

A agitação que passou a ser feita há poucos dias pelos neoliberais do PSDB e pela velha Arena entreguista representada pelo PFL aponta para a tentativa de golpe de mídia no segundo turno. É como se a corrupção tivesse sido inventada no Governo Lula, quando o primeiro erro desse governo foi justamente o de não determinar apurações severas sobre os 8 anos de FHC.

Essa agitação na imprensa não é 1/20 da que foi feita contra Getúlio Vargas e não é 1/10 da que será feita no intervalo entre os dois turnos. A partir de`denúncias`, os `mercados` reagiriam demonstrando a gravidade da crise. Assim, o `mercado` comprovaria a tese da inépcia do Governo e a gravidade da crise.

A realização de um segundo turno interessa exclusivamente à candidatura Alckmin. Nenhuma
das outras candidaturas minoritárias tem condições de ir ao segundo turno. Apostar no segundo turno, portanto, significa favorecer eventual vitória de Alckmin e ratificar o golpismo histórico que reproduz as crises de 1950, com a tentativa de impedir a posse de Getúlio; de 1954, que levou ao seu suicídio; de 1955, com a tentativa de impedir a posse de Juscelino; e 1961, com a tentativa de impedir a posse de Jango. Finalmente, de 1964.

Por maior que seja a frustração com o Governo Lula, NADA É PIOR do que trazer novamente
o PSDB e seu projeto privatista e entreguista.

Foi o governo do PSDB que privatizou estatais estratégicas, que doou dinheiro aos bancos por meio do PROER, que multiplicou a dívida interna em 11 vezes, que elaborou planos de demissão e de desemprego em massa, que tomou 45 bilhões de dólares emprestados do FMI para cobrir o fracasso de sua política econômica.

Repito: também me senti tentado a buscar uma opção à esquerda. Concluí, a partir da última semana, que se formos ao segundo turno a vitória de Alckmin - que agregará todo o conservadorismo, todo o entreguismo, todo o golpismo - ficará extremamente próxima. O enlouquecimento dos neoliberais tornará o segundo turno uma campanha repleta de falsos escândalos divulgados exatamente pela corja corrupta que conseguiu multiplicar por 11 vezes a dívida interna brasileira ao tempo em que privatizava com o argumento de que diminuiria a dívida.

Se há 4 anos votamos a favor de uma proposta, a do governo Lula, entendo que agora devemos votar CONTRA a candidatura Alckmin, CONTRA a realização de segundo turno. É preciso engolir a frustração e a mágoa para que não tenhamos um novo período de sombra na história do País. Com toda a frustração, com toda a mágoa, é preciso admitir que Lula é melhor do que FHC, que Lula é melhor do que o PSDB, que eventual vitória de Alckmin será uma tragédia.

Lutei cotidianamente contra a política econômica do governo Lula, contra sua política na área da previdência, inclusive complementar, contra a mediocridade da gestão das estatais, contra sua política de petróleo. Entendi que a crítica era a maneira de auxiliar a achar o rumo do País. Mas a realização de um segundo turno interessa exclusivamente aos entreguistas do PSDB.

Votarei em Lula no primeiro turno.

Brasília (DF), 25 de setembro de 2006.

Luís Antônio Castagna Maia (advogado)

Observação: Mensagem repassada na lista Literattura pela minha boa amiga Frô. Obrigada, querida. É bom poder ver, com olhos saudáveis, a quantas anda essa reeleição.

0 escritos: