quinta-feira, março 08, 2007

Internet para quê? Futuro? Influências?



Como você utiliza a Internet em seu dia-a-dia?
Quais as suas impressões sobre o futuro da Internet?
Como você percebe as influências da Internet na sociedade?
Aula de "Informática aplica à Ciências Sociais". É o tema do estudo da semana passada, mas mesmo assim, se vou começar essa pemba, que seja direito!
A Internet, essa que indiretamente vos fala e permite que estejamos aqui a dialogar (ou eu a dialogar sozinha, whatever). Para que eu uso a Internet? O que faço com ela?
Bom, seria mais fácil elencar o que eu não faço: eu não busco romance (não mais, hehehe), não troco carinhos físicos, não me alimento (por enquanto, um dia chego no nível de Sandra Bullock em "A Rede"), não durmo, não passeio ao ar livre, não amamento meu filho, não faço amor.
Fora isso... (perdoem algum esquecimento, sou vítima da hora e da minha obssessão em terminar isso!) não me lembro de nada que não faça pela Internet. Eu trabalho, escrevo para os amigos, faço poesia, leio tarô, leio livros, ouço música, compro, visito lugares, troco palavras afetuosas, crio tarefas, pesquiso curiosidades, estudo inglês, faço faculdade...
Até pela minha profissão (analista de sistemas), pela empresa onde estou alocada (Brasil Telecom), e por uma sede infinita de inúmeros conteúdos que rolam por aqui (ou seria marolam?) estou quase sempre conectada. As 9:00 da manhã eu ligo meu computador, e se não fosse por um breve período entre a saída do trabalho e colocar o bebê para dormir, só vou desligá-lo à meia-noite, em média... E todo esse tempo a Internet está a mil!
Sendo assim, a resposta é simples. Como eu uso a Internet no meu dia? Eu não uso. Ela é parte do meu dia-a-dia. Simples assim.
Agora, o futuro da Internet.
Ihhhh!
Pera que vou buscar o tarô!
Ok, o tarô me diz que a Internet veio para revolucionar, para ficar e principalmente, para nos fazer pensar e repensar. Ela está em tantos lugares, seu conteúdo é tão livre, que talvez em breve já não seja mais tão livre assim.
Criou-se um boom de mau-uso na rede com duas idéias errôneas sobre a internet: que ela era anônima e que nela tudo era inocente e podia.
Duas vezes errado.
Um bom hacker vai te contar que quase tudo que se faz na internet hoje pode ser rastreado. E os administradores de segurança estão criando e usando programas cada vez mais complexos para identificar usuários mal-intencionados. Sendo assim, a não ser que o ser humano em questão seja fera (!) em linguagens de programação, protocolos, redes, etc., pode esquecer essa idéia de que é anônimo. É simplesmente uma questão de falta de interesse dos sites de publicar ou liberar o acesso da justiça aos nomes dos usuários que passam por suas páginas e servidores. Na hora que a lei sobre crimes digitais ficar mais clara, e houver mais especialistas, certamente esse cenário ilusório de anonimidade será extinto.
Outra coisa, a idéia (ridícula!) que na Internet pode tudo: falar o que quiser, ser quem quiser, agredir a quem bem entender e não responder por isso.
Em que definição da web está escrito que é um lugar onde a responsabilidade é conceito inexistente?
Ah! Me poupem.
É o básico do básico. Fez, falou, agrediu, ameaçou, vilipendiou? Assuma. Arque com as consequências. A internet é apenas um reflexo virtual da vida que levamos aqui fora. É Alice olhando a si mesma de dentro do espelho. Acreditar que um nickname vai te proteger das bobagens que faz é de uma inocência estúpida. Achar que porque está na rede não será levado a sério é ingenuidade.
Ofendeu a mãe por e-mail? Num comentário de um blog? Difamou ou atacou pessoas porque acordou de mau humor?
Sinto muito para você, mas ninguém tem nada com isso. Se quem foi ofendido resolver tomar satisfações as consequências são as mesmas se você gritasse contra a pessoa em plena W3 Sul/Avenida Paulista/Avenida Atlântica (cito três lugares que conheço - Brqasília, Sampa e Rio - outros estados terão que esperar que eu viaje mais para poder colocá-los no próximo post).
Pode confiar em mim. Responsabilidade é o complemento da liberdade.
A última (graças aos Deuses! Estou morrendo de sono): a influência da Internet.
Buenas... a maior influência, a meu ver, é que a Internet me propiciou conhecer profundamente a ignorância do brasileiro sobre seu próprio idioma.
Ah! é claro que existe a disponibilidade de conhecimento, o acesso inclusivo do mundo digital, a revolução de costumes, o contato com pessoas distantes, a possibilidade de fazer inúmeras coisas sem sair de casa, etc.
Mas algo que ainda me espanta e que por isso elejo como influência maior é a (in)capacidade desnuda dos brasileiros de expressar-se. É absolutamente desesperador a quantidade de fóruns, chats, e-mails, listas de discussão e blogs onde encontro uma infinidade de incoerências, textos ininteligíveis, argumentos ridículos, gramática nula.
E não! Não são as ditas pessoas pobres e que normalmente são colocadas num saco homogêneo de ignorância catalogado de discrepâncias sociais. Estou falando da classe média, que tem acesso à banda larga, TV à cabo, jornais e revistas. Estou falando de universitários, estudantes do ensino médio, diretores, gerentes, supervisores de empresas. Estou aqui citando pessoas que deveriam conhecer o básico. Que deveriam conhecer a diferença entre cessão, sessão e seção, aplicando corretamente cada palavra em seu contexto. Que deveriam ter aprendido há tempos que a palavra coco (fruta) não tem acento, senão vira um cocô, literalmente.
Por isso, embora eu veja claramente que a maior influência da internet se deu nas comunicações interperssoais, eu gostaria que fosse na educação. Uma educação que foi de tal forma esquecida e relegada que até mesmo aqueles que poderiam ser privilegiados (e cultos), não o são! Um meio poderoso como esse poderia ajudar a reverter essa situação.
Aí encerro com o trocadilho infame de um colega, tirando sarro de sua própria ignorância.
Um caro colega está ouvindo Fagner e comenta:
- Compositor maneiro.
Concordo, mas corrijo:
-Essa música que você está ouvindo é um poema da Florbela Espanca.
Aí vejo aquele sorriso que precede toda frase que poderia deixar de ser dita:
- Espanca quem?
Espancarei eu a cabeça dele, até que as sinapses voltem a funcionar.
Arre!
Estou ficando mal-humorada. Hora de ir dormir.
Fim da conexão.

2 escritos:

Donizetti disse...

Muito bom o seu diagnóstico sobre a relação das mulheres com os cafajestes lá no Hedonismos... Grande beijo.

Ana Marques disse...

Doni,

diagnóstico foi feito, mas você ficou devendo o post sobre o assunto!