quinta-feira, março 08, 2007

Viver de brisa? Ciência x Crença

Laboratório do Saber - Metodo logia Científica

"Desde maio de 99, o casal Steve, 36, e Evelyn Torrence, 39, riscou do mapa as refeições diárias que fazem parte do cotidiano de boa parte da humanidade. Brasileira, radicada nos Estados Unidos desde 1998, Evelyn ostenta um corpo enxuto, de 47 quilos, distribuídos em 1,66m. Está bem longe da imagem de alguém supostamente desnutrido - mas não ingere comida há quase dois anos.
Na realidade, não é que eles não se alimentem de nada: a "comida" deles é "prana", a energia universal obtida a partir da respiração e da absorção da luz solar. Algo como a fotossíntese realizada pelas plantas que, no caso dos humanos, seria feita pelas glândulas pineal e hipófise, segundo Evelyn."
Reportagem completa:
Revista Planeta na web

Experimento 1
No trecho de reportagem acima, nós vimos que fatos absolutamente inusitados para a maioria das pessoas podem colocar em cheque conhecimentos antes considerados irrefutáveis. No caso, a necessidade humana de reabestecer sua energia pela ingestão de alimentos. Será que existe certeza ao conjecturar que existem mais coisas no mundo do que aquilo que a ciência consegue explicar? Pense a respeito. (modificado, para não publicar um texto mais extenso)

Pensar. Estou pensando.
Sério. Eu juro!

Vamos contextualizar: nessa aula tratamos da visão que a maiora das pessoas tem sobre a ciência como representante da verdade absoluta. Esse texto trata de um determinado assunto rechaçado pela ciência e que normalmente seria também rejeitado por um bom número de pessoas por considerar que é cientificamente impossível. O que a professora Ida deseja de nós, alunos, e o que eu desejo de mim, blogueira eventual, é uma discussão de mim comigo mesma no âmago do meu eu.

Não sobre a veracidade dessa história em si. Mas sobre o argumento que mora na ponta da língua de um número gigantesco de pessoas: está provado cientificamente.

Aí que eu e este amoroso blog entramos: para discutir o assunto.

O conhecimento científico baseia-se em métodos, provas e experimentos. A intuição, entre os cientistas, pode ser utilizada como um ponto de partida. Mas ninguém aparece numa conferência internacional de físicos falando que intuiu que Deus existe e que se os sapos forem beijados por princesas, das pedras azuis do mundo irá brotar leite e mel (vixe, que mixórdia de lendas e contos eu fiz aqui!). Da mesma forma, quem entrar numa convenção de astrólogos dizendo - o velho argumento mais que batido - que por causa da precessão dos equinócios quem nasceu em março não é mais de peixes, mas de áries, vai levar um passa-fora daqueles! E com razão.

Não rola. Cada um na sua.

O conhecimento propagado pela astrologia pode não ter chance de ser provado, mas foi usado por milênios e até hoje - individualmente - existem pessoas que se sentem auxiliadas pelo método.

A ciência, por sua vez, criou e negou teorias. Seu cabedal é dinâmico e os cientistas aprendem a cada dia, melhoram e aperfeiçoam seus métodos e descobertas numa busca sem fim.

O fato da astrologia não ser comprovada impede que ela continue sendo um consolo/alívio/ajuda para as pessoas? Não. Por mais que os astrônomos gritem indignados com isso.

O fato da ciência rever seus conceitos e melhorá-los impede que ela continue sendo um portal para a compreensão da natureza, do ser humano, do comportamento e da vida de uma forma geral? Não. Por mais que esotéricos e religiosos estrebuchem de raiva com os inúmeros experimentos que negam a comprovação da sua crença.

Volto a dizer: cada um na sua.

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Agora, voltemos ao assunto em questão: viver de brisa?

Gosto do esoterismo de uma forma geral. Gosto de pedrinhas, de florais, arruda debaixo do travesseiro, essências, essas coisas. Amo tarô e não quero que ninguém acredite que funciona. Essas coisas funcionam para mim, ponto.

Agora, esse lance de viver de luz me cheira uma tremenda enganação.

Viver de brisa? A força do prana?

Como foi dito por um médico "se o psicológico pudesse manter vivo alguém que não come porque acredita que não precisa, anoréxicas não morreriam".

Se a dona que escreveu o livro não estivesse ganhando rios de dinheiro com o livro e palestras, se ela não tivesse comida em casa, se o resultado do teste que ela ia fazer em 2001 tivesse aparecido em algum lugar (curiosamente a notícia do teste saiu em revistas esotéricas, mas o resultado, não!) e principalmente, se ela usasse esse conhecimento espetacular (?) para ajudar as pessoas que passam fome e que ela insiste em dizer que "não precisam de comida" a superar esse vício... Talvez eu a respeitasse. Talvez não achasse que ela é uma tremenda impostora. Uma fraude total disposta a ganhar dinheiro a qualquer custo.

Buenas, essa é apenas e tão somente a minha opinião sobre esse assunto em particular.
Quem quiser acreditar, não esqueça tomar as seguintes providências: doar os tickets e dinheiro do supermercado a algum orfanato, dar alimentação aos filhos porque os pobrezinhos não tem nada com isso, separar uma poupança para qualquer emergência e fazer um testamento no caso de acidentalmente morrer de inanição.

Sabe-se lá, né? Os parentes não deveriam pagar pela crença de ninguém.

1 escritos:

Donizetti disse...

Eu ainda vou abrir um restaurante rodízio para pessoas que se alimentam de luz! Teremos todas as cores possíveis, freqüências e comprimentos de onda... Todos vão se deleitar hahaha Um grande beijo, gostei deste blog.