domingo, março 02, 2008

Dia da mulher - Emancipação feminina, o que é isso mesmo?

O dia da mulher está chegando... todo ano fico de olho nos jornais, nas TVs, nos comentários, para descobrir o que estará sendo feito, como será comemorado esse dia. É sempre importante lembrar que aquilo que nos proporcionam no "nosso dia" é também uma forma de mostrar publicamente qual a real imagem que a sociedade tem da mulher.

Sempre podemos perceber, basta ler nas entrelinhas.

Mas a despeito disso, resolvi falar sobre o assunto evocando minhas eternas fontes de inspiração: o BBB e o site da Globo. Ambos não representam, é claro, a população brasileira, mas ambos tem um alcance gigantesco.

Um dia, vasculhando o site de notícias da Globo, me deparei com uma chamada falando que o (Pedro) Bial havia perguntando aos brothers sobre as maiores conquistas da emancipação feminina. Curiosa, fui ver o vídeo. Triste... claramente ninguém sabia do que o apresentador falava, nem o que comentar ou como debater o assunto. Não acreditam? Então cliquem aqui e vejam por si mesmos.

Assim... ninguém soube falar absolutamente nada! A pílula, a possibilidade de trabalhar fora, o direito ao sexo pelo prazer, o planejamento familiar??? As únicas bobagens faladas versaram sobre mini-saia, biquini e o voto (que como Bial esclareceu, veio MUITO antes da emancipação).


Haviam pelo menos 5 mulheres ali (que eu contei no vídeo) e mesmo assim nenhuma parecia ter idéia do que responder, do que poderia ser essa tal de emancipação. Elas são burras, desinformadas, toscas? Talvez não. As vezes eu me deparo e me agarro a possibilidade que elas desejem parecer mais lerdinhas apenas para se tornarem mais atraentes. Ou talvez tenham dado exclusiva e total atenção à formatação da sua traseira em detrimento de qualquer estímulo aos neurônios. Sabem como é, o que não tem uso atrofia.

Isso me lembra aquele filme "Legalmente Loira" em que Reese Whiterspoon faz uma patricinha estudante de moda e que, abandonada pelo namorado por ser considerada medíocre, resolve provar para ele que pode ser inteligente e consequentemente a esposa dos sonhos. Assim decide entrar em Harvard para cursar direito. Ninguém acredita que ela conseguirá, ninguém a leva a sério, na verdade, até ela duvida um pouco de si mesma e age muito mais para provar que é boa o suficiente para conseguir o casamento com o namorado idiota, do que para buscar uma realização pessoal ou profissional. Ela chega atrofiada na faculdade, óbvio, mas assim que ela percebe claramente que todos a consideram uma piada é que a melhor sacada do filme acontece: ela decide usar a inteligência, mesmo que não abandone a veia de patricinha que insiste em morar nela. E nem precisa. Nenhuma mulher precisa abandonar quem é, como é e a forma como enxerga o mundo e as pessoas apenas para se igualar aos homens. Aliás, nem devem! Ser inteligente não significa não usar maquiagem, usar óculos, esquecer o saltos, abominar o rosa, não gostar de crianças, se recusar a chorar ou qualquer coisa parecida. Somos o que somos, assim como a moça do filme é o que é. E se ela é loira, cor de rosa, malhada e gosta de fazer as unhas... ponto para ela! Nada disso desmerece ou diminui sua capacidade intelectual. E isso o filme deixa quase claro. Quase porque, infelizmente, o filme tem os seus pontos fracos: ganhar o caso por causa de um permanente de cabelos... foi de arrasar com todas as conquistas do roteiro! Tá, tá, tá... foi engraçadinho, mas... ai ai ai eu bem que tive esperanças que houvesse mais feminismo do que humor no final.

Paralelo a isso, tenho visto na mídia uma briga mais do que "importante", ganhando de vez em quando a capa do site da Globo. Passeando por lá, li que a banda (?) que canta (?) a música (?) do "Créu" está tendo problemas de relacionamentos internos e uma alta carga de inveja ocasionada pelo tremendo sucesso da Mulher Melancia. Sendo ela uma figura pública e modelo (?) conceituada (?) está tendo problemas porque as revistas tendem a chamá-la sozinha para entrevistas e sessões de fotos devido a sua abundância de talento, o que estaria gerando um mal-estar dentro do grupo. Essa disputa interna chegou, inclusive, a provocar a declaração de sua prima e companheira de dança (?), que deseja ser conhecida pelo gratificante codinome de Mulher Jaca, dizendo que "é tão gostosa quanto a Mulher Melancia". Declaração importantíssima, não acham? Altamente relevante brigar para saber quem é a fruta mais gostosa a sacolejar no palco ao som da criativa e profunda música "Créu, créu, créu".

Quem não acha que tal desenrolar de novela tupiniquim seja possível, acessem aqui, aqui e aqui e vejam por si mesmos.

O que eu vejo nesse dia da mulher?

Vejo que o trabalho do dia da mulher deve ser feito com as mulheres. Somos nós que ainda educamos filhos machistas, que ainda aguentamos maridos machistas, que não damos valor as nossas conquistas, às nossas opções, ao nosso futuro e ao nosso presente. Somos nós, mulheres, que nos transformamos em objetos sem alma ao concordar numa disputa sobre "quem é a mais gostosa" ou "quem sacode mais a bunda". Somos nós que não damos valor ao que foi por nós conquistado quando sequer sabemos o que significa e qual a importância da emancipação feminina na nossa vida. Somos nós que temos pouca idéia de nosso potencial quando só desejamos entrar numa faculdade para tentar ser "boa o bastante" para um marido potencial.

Mais do que conscientizar a sociedade, ainda é preciso conscientizar as mulheres.

E enquanto isso não acontece, na gente só...

"Vamos, mulherada! Na velocidade cinco, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu".

1 escritos:

Felipe disse...

adorei seu texto! rsrs ps: ñ sou gay