sexta-feira, abril 04, 2008

Coração

Coração, que liberdade é essa?
Que busca é essa que te guia?
Coloca os teus pés na terra.

Mas que pés, minha mãe?
Eu só tenho asas.

Coração, pousa de volta.
Corta essas asas, retorna.
Que tão alto, cai e machuca.
A queda não avisa, é brusca.
Esquece essa ânsia, acorda!


Ah, minha mãe. Me deixa.
Não existem conselhos que parem minhas veias.

O sangue que corre é todo meu!
E ele foge, se eu desisto...
Ah, minha mãe, eu sou o que sinto:
pulso, coragem, vontade, instinto.


Coração, não foge da realidade.
Teu vôo é trágico, teu fim é verdade.
Não tens futuro nesse caminho infeliz!
Volta pro chão, esqueça essas asas!

Minha mãe, eu tentei. Eu juro.
Mas as asas são meu único futuro.

Coração, meu querido, ouça a voz da razão!
Esquece esses sonhos e essa ilusão.
Futuro só existe para quem se conforma.
Pousa no chão, não me assusta ou afronta!

Mamãe querida, me deixa voar.
Meu vôo é sem fim, meu destino está lá.

Não volto, não desço, não tenho retorno.
Prefiro cair a desistir do meu vôo.
Prefiro morrer na queda, que cair na mentira
de que a vida sem asas é a minha sina.

4 escritos:

dudalak disse...

interessante essa poesiaa
mas é dialogo entre qm ou o que??

Ana Marques disse...

É um diálogo entre o coração que deseja voar e a razão (simbolizada nos diálogos das mães) que tenta trazê-lo de volta ao chão.

caio arroyo disse...

Quem nao se snetiu completamente fora da realidade, viajar com o pes no chao, mas cabeca em outros lugares, otima ideia de simbolizar o pe no chao com a mae falando

Anônimo disse...

Tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo!!!
A-do-rei, Aninha!!!
bjs
Évora