sexta-feira, setembro 26, 2008

Sem limites


fotografia por George Doyle
Quero ser tua
todos os dias
nua e crua
sangrenta e fresca
sem cozinhar.

Quero ser toda
o tempo todo
sem medo
nem sonhos
para acalentar.

Quero ser inteira
repleta, plena
de desejos, carinhos
virtudes e vícios
e te viciar.

Um corpo macio
dormente, esguio
pronto esperando
num doce abandono
para te encontrar.

Limites vazios
de linhas e esferas
segura essa fera
arrematada no cio
pronta para atacar.

E se eu te quero,
um querer sem medida,
aquece, acaricia.
Liberta esse cio
para te dilacerar.

Hora do Almoço

Se me descrevo,
não me revelo.
Eu me escondo:
palavras vãs.

Saio da toca,
volto depois.
Placa na porta:
vou almoçar.

Se todos cantam,
eu me encanto
e sigo, insana:
vou dançar.

O cheiro cheio
do meu perfume
é feito lume:
para te perder.

Teço sonhos,
velados contos
e te atraio:
vou te morder.

Teço a teia,
aranha esfinge.
Resposta imberbe?
Vou te comer.

terça-feira, setembro 16, 2008

Corpo

um corpo
um poço
me afundo
te inundo
e ao fundo
toca...

música
ou
tuas mãos?

tumulto
insulto
instinto
faminto
libido
segura...

meu corpo
ou
o lençol?

momento
movimento
suspeito
rolando
abraçando
gritar!

prazer
ou
esquecer?

e recomeçar...

terça-feira, setembro 09, 2008

Adeus

fotografia por Jamey Stillings

Eu me despedi
dessa vida
tão antiga
acenando nosso adeus.

Eu me reconheci
num novo espelho
o novo cabelo
e as unhas vermelhas.
Meu rosto não espera mais
e o sorriso agora é só meu.
Vai. Esse adeus
é a última palavra entre nós.

Te despedi
me despedindo de ti.
Sem olhos nos olhos.
Sem estrelas na estrada.

Me despedi
te despedindo de mim.
Caminhando
e dizendo adeus...

Vai, que eu fui.