segunda-feira, dezembro 28, 2009

Não há nada




Por Ana Marques

Não há nada
para enxergar
através da fantasia de ser quem sou.

Nega?
Nega buscar o que não existe
pelo prazer de se decepcionar?

Negue...
O vejo tentando encontrar o disparate
que espanquei, que morreu e me restringia.

Não.
Não vá.
Não há nada lá.

Tudo pertence a mim.

E lá somente resquícios
que nada podem dizer
sobre o que me construiu.

Também não.
Não há nada aqui.

A não ser subsídios
que te permitirão morrer
sufocado de ânsia, desespero e...

E sozinho.

Porque eu, euzinha
nunca estive lá
nem aqui.

Não me procure.
Não poderá me encontrar
nem eu sei onde fui me esconder...

sozinha!

Volte.
Não há nada. Somente as marcas
de quem foi, e nunca voltou.

1 escritos:

Anônimo disse...

Adorei o texto! Maneiríssimo!

Lela