domingo, maio 31, 2009

Da insistência do não.

fotografia por Matthew Antrobus

Por Persephone

Não digo. Calo
o sentimento, o pressentimento
e o vento.

Não olho. Fecho
tardes vazias, noites macias
e a vida.

Não ouço. Silencio
cordas do piano, o riso deste canto
e o instrumento.

Não emociono. Distancio
Versos teus não atingem
o âmago que em mim vive.
Isolo de ti.

Não te permito. Recuso
Tua música eu não escutaria
Teu encanto me distancia
Te repreendo de mim.

Não te divido.
Minha é a tristeza da tua partida
Minha é a dor da tua agonia
Minha é a decisão de te dizer não.

Não.

terça-feira, maio 05, 2009

Prisão


Por Persephone

fotografia por Stanley Martucci



Qual é a dor aprisionada neste corpo?
Solene sorriso se reflete em refrões...
Em tríplices imagens contidas
luas que se esgueiram cativas.

Qual é a verdade aprisionada neste laço?
Que não se desfaz, que não se desintegra?
Que a areia não cobre, que a onda não leva?
Vermes recusam a digestão.

Qual é o presente preso neste passado?
Que se faz de inocente, quase sem pecado.
Que se pronuncia veemente, inerte, macabro.
Vampiro diurno de sangue manchado.

Qual é a vantagem presa nesta opressão?
Opressivo momento que não vai embora
Lascivo, descrente, preciso, escória
permanente, resoluto na mesma história.

Sacode este tempo, desfaz este chão.
Liberta este vento, depreda o grilhão.
Não existe caminho que una o separado.
Colore a retina. Destrava teus passos.

E vai...

sábado, maio 02, 2009

Eu vi o tempo

Por Persephone / Ana Marques
fotografia por Trinette Reed



Eu vi o tempo e seus pedaços.
Horas partidas, dissolvidas
estrada granulada.

Eu vi o tempo e o meu retrato
espalhado no caminho
alterado e sombrio.

Eu vi o tempo e os percalços
as erosões de suas beiradas
ilusões delimitadas.

Eu vi o tempo e os descasos
o que ficou perdido e destronado
compreendi o fim dos reinos.

Eu vi o tempo
mas eu não via nada.