quarta-feira, março 17, 2010

contraPartida

imagem por: Chumbica



Ele:
Para dizer que te amo nada me custou. Para dizer o contrário está doendo muito. *


Ela:
Tudo custaria dizer-te que amo. Negar-te seria natural. Negar até fim das horas tua existência em mim, esta seria a minha verdade.


Ele:
Fácil negar o não acredito. Difícil é o desapego ao fim marcado, querido e exigido. Muitas das vezes só por nós.


Ela:
Vi-te partindo e dizia: fica. Os teus passos no caminho ao longe e repetia: fica. Olhei teus olhos fixos noutra rotina, ainda disse: fica.


Ele:
E de partidas fiz um parto de dor. Quebrei o elo e me reafirmei. Se não me és por que há de em ti ser?


Ela:
Olho a noite que me reflete, reflete teus olhos e nossos momentos. Elo partido nos espera. Ainda vives na noite que sou.


Ele:
Da noite vem o sereno. Do luar o seu brilhar. E desse amor, o que surgirá? Os 'nãos' do temido sim?


Ela:
Qual o sim que te posso dizer? Qual o não que nos pode aguardar? Se teu luar inunda minh´alma, só te quero viver. Agora.


Ele:
O sim do dia do começo. O não deixo para o não. Um dia há de morrer na tua eterna negação.


Ela:
O não que o nega, o revelou a mim. O sim que nos apresentou, assustou-me para longe. Quando diremos palavras que não possuam entrelinhas?


Ele:
O óbvio, que lhe parece, é dizer o que os olhos antecipam. Por isso me faço de linha para entre tu aparecer.


Ela:
Apareço. Assusta-me e atrai. Longe não suporto, mal suporto ficar. Na teia que teces permaneço. Não indefesa, espero. Mas o que?


Ele:
Esperas pelo encanto sagaz do laço que fizeste. Pelo só ficar. Pelo só querer.


Ela:
Encanto e querer acenam, eu sigo. Firmamos nosso laço em decisões impensadas. Ele recria-se, não pode ser quebrado. Como fugir?


Ele:
Dê-me a mão. O fujo não há de fugir do querer. Mesmo se o acaso criar saídas imaginárias.


Ela:
Poderás acariciar minha noite enquanto imagino fugas? Ultrapassar fogo e gelo que me alternam? Podes sobreviver a esse interlúdio?


Ele:
Se o ato for de compensa, o que é ambíguo que não se converta?


Ela:
Se nos destruirmos no caminho, ainda serei a que aceitou tua mão. Aquela que quis mais do que a razão ordenou se afastar.



Ele:
E se a morte me levar, deixarei de existir aos teus olhos?


Ela:
Não te posso expulsar de mim, vivo que estas e fácil de ser atingido em mentiras que posso criar, como o faria se me deixasses em pleno encanto?


Ele:
Deixar-te, pensaria eu duas vezes. Não estou preparado para a morte de não tê-la.


Ela:
Sonho viver-te. Ter o que desejo, sonhar o que tivermos. Não fujo. Não hoje. Não ainda. Preciso sentir teu perfume.


Ele:
Meu perfume é hoje. Minha hora já se passou e o desejo por ti é infinito. Venha-me ou vou a ti?




Diálogo entre "Ele" e "Ela" numa prosa lírica no twitter. Essa publicação é um pouco da poesia que compartilhamos on-line.

* @r_glima "Para dizer que te amo nada me custou. Para dizer o contrário está doendo pra caramba" #pensamentos (frase original que inspirou o diálogo publicado)

Aqui eu abro o coração e o espaço para conversar com a intensidade dele.

1 escritos:

Talita Prates disse...

Um arraso!
Orgulhosa de vocês, minha queridona que eu já gosto tanto apesar de tão pouco tempo de "convívio" virtual.

Bjo bjo!

Talita.