terça-feira, novembro 16, 2010

Colinas

Imagem: Tender Touch

Na colina ao longe
quase posso alcançar...
No alto, ao levante,
o amor tão distante.
Um sonho à antiga
entoado em poesia
numa cantiga lunar.


E sendo este amor,
sem futuro ou louvor,
só presente.
Que pressente...
que o tempo passa
e a tarde é escassa
em horas de nós dois.


Ultrapassarias tua vilania?
E a minha?
Aceitarias nossa incoerência?
Penetrando minhas barreiras
erguidas, rendidas
aos teus olhos de ar?


Imaginar-te
vindo em minha direção.
Olhos nos olhos. Concentração.
Boca na boca. Que o tempo não pare.
(mesmo que parado)
Enquanto sinto-me difusa (e confusa)
dissolvida nos teus braços de mar.


Não, não tenho sonhos 
de amor contigo.
Não tenho sequer
como encontrar a tua face
perdida entre minhas cicatrizes
esquecidas de reviver
no interior desta mulher.


Sonhos são sonhos.
Morrerão ao nascer
do dia.
Incautos, pobres, coitados...
Eternamente
dormirão ao raiar das luzes
que iluminam as nossas cruzes.


E eu, que vivencio esta vida
Acordo, ainda embevecida.
Busco teus olhos
nos sonhos sem sons
nos caminhos sem vozes
na colina ao longe
em que se perdes
sem me encontrar.

4 escritos:

disse...

Sonhos deveriam se limitar a noite.

Beijo!

Anônimo disse...

Acordar da vida e despertar para o sonho

Luy Duarte disse...

De buscar teus encantos e teus braços de mar um dia poderia desistir. Desistir de procurar teu gosto em minha boca quente e presa no desejo, mas o tempo pára e não me permite continuar. Continuar a te esquecer e deixar de lado seu olhar molhado e este amor sem futuro ou louvor. Mas que o tempo sempre pare, e me leve de volta a ti, ou que me perca, sem te encontrar.

Parabéns, linda poesia.

naomefazpensar disse...

Alguns sonhos morrem ao nascer do Sol, enquanto outros ainda nem começaram.