segunda-feira, abril 05, 2010

Repúdio



imagem: Rekha Garton

A tua piedade grita por uma companheira na antiga bacia de escarros derramados... Não sei quem buscas nestas tuas andanças, mas sei que não serei eu a entoar o coro fúnebre com o qual recobres tuas vítimas.


Descarrega-te de mim.


Tua essência é a mentira contada, a invenção do século: renda-se ou te destruirei pelo fim da tua bondade. Bondoso é quem possuis debaixo das tuas asas de águia.


(só não contas a ninguém que usa-te dos desavisados para alimentar as pequenas filhas-feras: indulgência, maledicência e a pobreza)


Segue daqui, famosa ofensora. Detesto teu nome e destrato a tua existência. Nego-te em mim por não creditar feito algum ao teu modo vil de fazer-se valer aos que perderam tudo.


(não a dignarei, não darei a ti nenhuma das minhas dores)


A tua música chama a Pena a dançar e eu posso sentir-me envolvido pelos teus ombros. De início desviado, devolve-mes ao meio, recrutando-me o fim.


Busca-me e te repudio. Ai piedade, que eu odeio e mesmo assim, obrigada a conviver, desumanizo. Teu tempo é uma medida sem amarras e foge ao teu controle. 


Piedade: amálgama que distribuis, da qual é feita e que completamente te assola... 


Ana Marques


PS: Vai pra ti, de novo. :) 

3 escritos:

[ rod ] ® disse...

Isto vai virar obrigação..rs Inspiro-te ou me inspira a ir além? Se a piedade é sentida em qual ponto merece o repúdio?

Belo moça... as palavras são de ouro e a foto magistral!

Bjs e bom dia.

Rita Schultz disse...

Deixas-me, mas me levas junto!! Oh, que delícia e contraditório desejo,o amor! Linda a tua prosa poética, querida Ana. Que os bons ventos te tragam mais e mais palavras! Beijos mineiros, viu?

Menina Misteriosa disse...

Sempre uma delícia te ler.
E sabe bem o que penso sobre pena e piedade... perfeito!
Um beijo!