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Mostrando postagens com o rótulo poesia

Não te falo mais nada, por Ana Marques

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Não te falo mais nada. Meu corpo não tem espaço para tanta pancada e meu fígado já falha da raiva que eu guardo. Não tenho voz para te acusar, não tenho sangue para me defender. Vivo dos desvios – às vezes rápidos e às vezes lentos – dos tapas que voam para todo lugar. Meu corpo sacode no ar, não é de alegria ou gozo. Sacode da surra que me espera ao final de um dia ruim. Que vida é esta? A igreja não responde. Resigno a mim mesma em orações que não faço. Não vou mais à igreja, não acredito em mais nada e dia a dia a vida segue sem cessar. Não cessam os socos, que às vezes chegam aos filhos. Filhos estes que também não param de chegar. Chega! Não te falo mais nada. A odisseia remonta o espetáculo. Retoma o palco e lá vou eu. É mais longa a sessão de porrada e quase por nada eu durmo no chão. O sangue se espalha, eu limpo e cansada, vou passando o pano no chão. A boca não abre de tão inchada, os dentes já moles reclamam dentista, comida, dignidade e um pouco de paz. Não tenho mesmo para...

Montanha russa, por Ana Marques

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Sai. Não aguento mais olhar a depressão presente. Quer me ajudar de verdade? Mais um comprimido  que o efeito contínuo é o que alivia. ... e se não quer me dopar (de novo) devolve a bebida conhaque, uísque ou pinga Tanto faz. Se nem isso é permitido me deixa sozinho eu não quero olhar para mim nem para você. Sai. *** Vem. Estou com saudade dos namoros, viagens e danças. Foram tantas! Vamos sair para comemorar? Tocar violão na praia fechar os bares dormir ao relento viver a vida o dia inteiro... *** Sai, amor. Não há vida nesta vida. Não há retorno. Nem há sonho.  Me deixe em paz. *** (de comprimidos  ele encheu o corpo e o espírito  e na montanha russa  subiu  descendo ao infinito.  Nem começo, ou fim  ele está preso  sem entrar ou sair  de mundo nenhum) Imagem: Freepik

Morte do Amor

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por Ana Marques ... matei o amor que me matava. Não houve bala, nem ruído. foi punhal no coração certeiro não desmanchei o cabelo e nem sujei o meu vestido ... matei porque estava na hora errada no dia suspenso, no fogo cerrado e no caminho do que serei era uma pedra, uma rocha, uma mata fechada e um abismo que atravessei ... matei porque esse amor era asfixia suas garras sangrando na minha camisa e toda aquela dor me atormentava como um romance suicida ora me enlouquecia, ora me dilacerava ... matei esse amor tresloucado matei esse amor sem palavra matei esse amor sem sentido matei, sem mexer no cabelo matei, sem sujar o vestido. (poema feito em 13/02/2015) Imagem: Lovedeath By VvBornOfDesirevV On DeviantArt

Fronteira

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Fronteira por  Ana Marques Existem palavras que a gente não diz e a liberdade é um ato falho. Meu coração na fronteira se perdeu mundos enfureceram em fogo e dor ... e não há cor no rosto que apague o que ficou esperando no tempo. Não há um dia em que eu não procure o rosto do fim do mundo dos limites que ficaram esquecidos de voltar. De mala na mão corpo coberto frio nos cabelos gelo no peito eu corro ruas cidades obscuras dias e noites sem lua à tua procura. A busca de um lar sem nunca encontrar. Imagem: Go , by CasheeFoo

Perdida

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Perdida por  Ana Marques … algo em mim se perdeu alma num beco, num breu tão fora de mim tão fora de si não sei mais quem sou porque todo esse movimento nem é pra fora ou pra dentro é um sacudir-se para ver se encaixa no lugar. Não há espaço pra esse desgosto Nem um rosto com tanto desconforto só um ai perdido no peito um tique caído e nervoso Só há um querer que já foi desmedido hoje é partido trêmulo e exposto. é o que seria, mas nunca será uma dor que não cessa de machucar um fim que não chega e um começo que se esqueceu de começar.

Meu amor

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por Ana Marques Meu amor, nunca fui tão dura contigo como durante o afastamento o tempo passado debaixo das nossas incertezas Fomos além de todas as inteirezas e assim fomos metade e mesmo quando grassavas ser a minha metade metade amor, metade sonho, metade paixão piscava um imenso não um buraco, um descaso, uma escuridão um nada que aconchegava minha metade solitária eu vivia os teus arroubos com tanta intimidade que me sentia sua sendo você mas era tanta coragem roubada tanta carne desprotegida tanta ganância, tanta ironia que me ficava eu: cabeça oca, alma vazia. Meu amor, nunca fui tão dura comigo quanto precisava para acordar dos seus sonhos destruir seus caminhos para recuperar o meu rosto e desenhar meu destino. Tão absorta estava de mim que me perdi nesses teus olhos e adiei os meus passos tão necessários para que meu esboço se tornasse retrato. Meu amor, não diz até mais mas eu fui ali recuperar esse eu essa alma que se rompeu não me espera acordad...

Tempestade

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Thunder-storm, by P-Delger Há tanta dor nesse peito pronta para estourar não tem tempo, não tem sossego é tempestade arrebentando no mar E eu que fui rocha vejo-me a mercê dessa tormenta em desatinos. Eu que já fui montanha deformei o corpo em erosão e detritos. Eu, que moldei-me em gelo, vi levantar-se o sol desfazendo-me. Não tem gelo que não se derreta Não tem pedra que não recue Não tem coragem que não esmoreça na sua quietude. Feito noite adentrou os meus sonhos Feito norte mudou o meu rumo. Minha existência em você. Na sua foz escondi os meus medos Desafiei destinos, tecendo receios e criei supernovas de sete tons. Não descobri, no entanto, os seus segredos. Entreguei o coração para dormir no seu peito. Minha vida esperando você. E na noite, sem o balançar dos meus ventos no vazio que deixei, enviou-me o seu mensageiro  ... Fiquei ali. Eu, a noite e o seu silêncio. (Há tanta dor nesse pei...

Menos nós.

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imagem: Ausência, por  d0nasd0gama Está tudo em nós nas linhas não escritas oriundas de sonhos (ir)realizáveis Está tudo aqui. Esperando o dia a noite a vida. Está tudo aqui. ...menos nós.

Ciclones

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Occhio del Ciclone - por HappyNeurosis Não venhas se não desejas. Mas não inventas ausências  para teu decoro. Se o toque parece confuso conserva-te mudo e eu espero. Não gasta teu verbo, teu sangue, teu credo com o que não queres desvendar. Não cria distâncias  para tuas idas que já vejo teus olhos perderem o foco em ciclones de ar.

Se

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imagem:  Zemotion ‎... e se realidade superar a fantasia como farei para que o distanciamento (prometido) supere a saudade (sentida)? ... e se o tempo carrasco dos intentos (tão nossos) magoar nossa vontade com a ausência? ... e se tudo se perder em dificuldades extremas? ... e se tudo ficar no se?

Encontro

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Eu não chamarei o teu nome  enquanto fores fogo  futuro.  Não acalmarei tua mão na minha  ... se o teu toque esti... Blog Bar do Escritor: Encontro :

Lobo Mau

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Eu quero um lobo mau (bem mau) pra chamar de meu. Não precisa ser pra sempre (que pra sempre é conto de fadas) mas tem que dar o bote na hora certa. Ou não será mau como eu preciso.

Miragem

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fonte: Man stretching hand through smoke Quase uma miragem e eu o vejo dissolver ... tal fumaça sem corpo [aparente] sem mãos para alcançar-me. ... e eu sonho delírios que desconheço vou criando caminhos e atalhos num quarto de despejo. Aonde guardo nossa história. Nosso querer desconhecido e escondo os abraços [que não dei] amarrados aos beijos [que escondi] à porta fechada.

Precipício

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fonte: Michelle Monique Não usarei minhas mãos para impedir teu caminho. [seja para o vício  ou para a cruz] Não impedirei desvios nem farei da minha boca o teu juízo. Antes levarei teu peito ao precipício. Não colocarei limites na tua cobiça e da tua ira farei sobremesa a me enlamear Na tua gula serei a mais pura a mais infame das iguarias derretendo na tua língua. Pode chamar-me tentação de diabo, de vulcão. Pode chamar-me quando desejar esquecer toda a razão.

Marcas passadas

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Fonte:  Suspiria81 (DeviantArt) Seriam essas as marcas? As marcas de um monstro, riscado nas veias e no rosto, transbordante em mim? E o que mais transbordaria? O quê deveria existir? Seriam esses esgotos, retalhos do que restou? Evidências do suposto crime, da defesa que criei? Defesa que me escapa. Réu de quem me tornei? O sangue que se espalha [ainda posso ver as marcas!] arrastado pelo chão pingando em vãos. E vão. Vão secar no tempo que passa. E passaria. Não era para ser assim? Pudesse eu ser diferente em ponto mostraria uma vírgula. Uma piada, e ela não rimaria. ...destoaria dos lábios, presos na Poesia. Que graça teria? E era para ter graça? Ah... Sangue que marca o caminho De outros, outros tantos... Líquido derramado de pranto vermelho relaxados, ritmados, obscenos. Insistem em existir. Mas algum dia, eu não fui assim? Suspiraria todo um dia pela chance de não ser marcada  da alegria de não ser pequena. Enxergar a dor, onde vejo um drama Sutil, pueril....

A Tua Parte

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imagem: emsvangoth Eu sou a tua parte mais intensa, quixotesca e desestruturada. Desemboco na tua boca em dias santos e dias loucos. E enquanto for a parte distraída, mais serei tua a cada dia.

Passageira das estrelas

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imagem:  iNeedChemicalX A felicidade é sonho, a madrugada é breve e eu sou passageira das estrelas com caminho definido para nenhum lugar. Sou flecha cortando o horizonte. Tão longe verás que parti sem estar aqui e que chego sem estar lá. Sou movimento que feito, não existe. Sou um sonho, dentro de um sonho. A passageira das estrelas sem parada, sem lugar Sou luz que não acende. Que acesa, não ilumina. Que cega-te e serpenteia, sobe pela tua espinha, arrepia a tua orelha, afoga tua solidão. Sem nunca sair de onde estava e sem alcançar-te toco o teu rosto acaricio e mostro a poeira das estrelas no caminho que não terminei de traçar. A passageira de estrelas que permeia tua presença e diz adeus, (desaparece nesse adeus) mas continua lá.

Seca

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Imagem: Helenas-sweetheart Vou viver tudo e chorar tudo. Até secar os olhos, a vida, ...você.

Dons e Maldições

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Imagem: evilmuffins Existem dons e maldições. Escrever é dois em um. Amaldiçoada escrevo nas madrugadas o que (nem) sempre sinto. E o dom renega o cansaço e a entrega tomando apenas: no corpo a caneta, na mente a rima, no coração a imagem. Forma um retrato (incompreensível) do que vejo e não sei pintar só (mal)dito. *** Em resposta ao desafio proposto pelo amigo Marcelo Mayer  através da pergunta "Por que escrevo?". Como sou pessoa de sorte, tenho a companhia, nessa empreitada, dos amigos e escritores:  Menina Misteriosa , Carriço , Paulo Fodra  e Rodolfo Lima .

Dissociação

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imagem:  Ameralie Não me dês um beijo se não podes lidar com meu desejo. Não quero um! Porque eu sou muitas concentradas em mim.