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Tributo das musas

Por Ana Marques Musa: Pagaste? Poeta: Paguei sim... Musa: E o recibo? Poeta: Recibo? Recibo não tenho. Musa: Então pague. Em dinheiro. Poeta: Não tenho dinheiro. Musa: Azar... Poeta: Azar? Musa: Quem mandou querer ser poeta, sem ter como pagar? Poeta: Entrega-me a inspiração! Musa: Inspiração não responde ao grito, a loucura ou à fossa. Poeta: Mas o que faço sem tua inspiração? Qual será minha sina? Musa: Seja como os medíocres... escreva frases toscas. Musa (rindo): E chama de poesia...

Bem-comportada

por Ana Marques Sou uma fada bem comportada de pernas entreabertas e de asa virada. PS: Para Alice Ruiz. Musa, inspiração desse poema e poeta que leio com imenso prazer.

Passos combinados

Por Ana Marques Nossos passos combinavam. Os atos se entretinham em dias de descaso sonhos me sorriram. Os meus dedos na cama corpo perdido no seu suor: cheiro de vida tempo que se encolheu Vida fora da vida, minutos não eram nossos, a mentira transformista merecia fim mais dócil... Para quê fim mais dócil? A transformista morria... tempo roubado do fosso da vida esmaecida Tempo disse adeus ao suor já sem vida. O corpo perdido do seu, dedos na cama vazia. Sonhos se despediram descaso desarmado. Atos que nos fugiram dispersaram nossos passos. Nas ruas sem esquinas seguindo ao fim da linha. Buscando atalhos em ruas. Atalho para...

Sou sim. Sou eu. Estou.

por Ana Marques Sou o caminho, a verdade e a vida. O caminho sem salvação. A verdade na escuridão. A vida na perdição. Sou sim. O caminho que não tem volta. A verdade que vem à tona. A vida que se esgota. Sou sim. O caminho no alto do monte. A verdade refletida na fronte. A vida nascida da fonte. Sou eu. Caminho um caminho de sombras, maré da verdade quebrada em ondas, vida que evapora em gotas. Sou eu. Sou eu o caminho que te dá arrepios. Sou eu a verdade que permeia o destino. Sou eu a vida em sono escurecido. No caminho que te persegue... Na verdade que te protege... Na vida que te recebe... Estou. Sou sim. Sou eu. Estou.

Máscaras

Vou cozinhar no tacho uma máscara de barro. Refazer meu rosto nos moldes do inferno. Ver quem sou e me esconder. Mostrar nos meus traços a quem devem temer. Vou cozinhar no tacho uma máscara de granito. Esconder meu rosto nos passos do destino. Vou entrar nos meandros do submundo conquistado, encontrar Perséfone e maldizer a morte. Vou cozinhar no tacho uma máscara de bronze. Desfazer meu rosto nos traços dos esquecidos. Buscar o molde do meu rosto no meu caos inicial. Pescá-lo no lamaçal, retirá-lo do fundo do poço. Matem! Matem! Matem as máscaras. Retirem as máscaras! Que elas não me servem para nada. Levem as máscaras para o fundo do poço que elas afundem no lamaçal deste caos.

O Eu lírico, diálogos e vozes

Exercício da Oficina de Poesia ( Portal Liberal ) - Aula 2. 1) Um EU todo retorcido: Faça um poema em que você escreva seu nome próprio, como nos inúmeros exemplos aqui mostrados. Tente observar se ao escrevê-lo você está apresentando uma abordagem auto-crítica ou auto-celebratória, auto-piedosa ou cruel, ou seja, se está vendo o seu nome sob um prisma olímpico ou da inviabilidade. 2) Poema em vozes: Vale aqui soltar a imaginação. Escreva diálogos que ouviu na rua ou invente diálogos do modo que achar melhor... Não há nenhum problema se você quiser escrever até uma mini-peça (de no máximo duas páginas). O poeta e dramaturgo alemão Heiner Müller tem vários trabalhos que ficam numa região indecidível entre o poema e o drama, como esse aqui, tão curto quanto belo: PEÇA CORAÇÃO Um- Posso pôr meu coração a seus pés. Dois- Se não sujar meu chão. Um- Meu coração é limpo. Dois- É o que veremos. Um- Eu não consigo tirar. Dois- Você quer que eu ajude? Um- Se não incomodar. Dois- É um prazer para...

Oficina de poesia

Eu tenho um fraco por poesia. E prosa, contos, romances... de lazer a autores "consagrados", na verdade eu tenho um fraco enorme por literatura. Há poucos dias descobri um site fantástico, o Portal Literal . Lá tem algumas oficinas on - line que podem ser a diferença entre quem escreve e quem escreve BEM. Assim, bem MAIÚSCULO mesmo. Iniciei a oficina de poesia esses dias. Falta de tempo contribuíram para que eu atrasasse a leitura. Até porque poesia não é algo que se aprenda correndo. Inspiração que traz uma poesia magnífica diretamente para a ponta do lápis, ou do teclado, é pura ficção. Poesia se faz com labor e muita dedicação. Buenas ... a oficina, na 1a. aula, sugeria um exercício. Inserir num poema de sua preferência, estrofes de sua autoria. Segue a poesia original e o resultado do meu exercício. SEGREDO Carlos Drummond de Andrade A poesia é incomunicável. Fique torto no seu canto. Não ame. Ouço dizer que há tiroteio ao alcance do nosso corpo. É a revolução? o amor...