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Onde estará meu prazer?

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fotografia por George Doyle Onde é que estou se não reconheço meus traços? Onde estará meu prazer? Perdido. Um buraco negro no espaço. Um segundo entre dois passos. Um destino destraçado. Onde estará meu prazer? Eu o perdi num dia de chuva, numa tarde de sol, no brilho de um farol. O perdi numa tarde ventania em que o vento soprava enroscava, batia. Os corpos iam ao chão e o prazer se perdeu embrenhou-se num vão. O vão dos perdidos corpos vadios ventania vazia virada em brisa. Emoção que ficou numa noite esquecida.

Olhos

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Olhe nos meus olhos. O que vê quando me vê? Olho nos meus olhos. O que vejo quando me olho? O que olho quando me vejo? Olhe nos meus olhos. Vês o mesmo que eu? Quando me vês vês que quem te olha não sou eu? Olho nos meus olhos. Não vejo ninguém. Esses olhos vazios inertes, macios olham sem SER . Olhe nos meus olhos. Não podes me ver. Não podes me ter, acariciar, conhecer. Olhe nos meus olhos. Sem me ver podes me ouvir?

Estrelas

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figura por Christa Kieffer poesia por Ana Marques Meus pés fixos no solo, meus olhos no infinito. Minh´alma livre se dilui e se mistura com as estrelas. Não existe limite Mesmo consciente do chão debaixo dos meus pés. E conhecendo a gravidade sentindo essa ambigüidade... Estou voando através das estrelas... Encontrar meus iguais, meus diferentes. Descobrir, num momento de lucidez, que somos únicos que somos um nesse mar de estrelas...

Casulo

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Borboleta na casca no casulo sem asa. Lagarta no casulo vigiada sem asa. Quebre a casca liberte a lagarta. Liberta a casca, a borboleta as asas.

Vidência

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Por Ana Marques A vidente, rosto seco e sábio olhou-me, um olhar esquálido e disse de sopetão: - Encontra seu destino. - Isso não tem preço. Ensaiei meu sorriso tímido e perguntei, meio sem juízo: - E ele deixou o endereço?

Possuir

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fotografia por Bragi Thor Josefsson Por Ana Marques Não me possua, inspire-me. Não sou tua, sou viva. Meu corpo pertence, não a ti ou às tuas mãos. Pertence à roda do tempo que fenece as flores e pertence a mim, enquanto as Moiras me permitirem passear pelas colinas sem fim.

Entrega

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Por Ana Marques Veja meus olhos. Olha para mim. Somos eu e você nessa noite. Nessa lua nova nosso amor é noite é açoite. Entrego meu corpo meu leito meu ombro para teu prazer. Entrego a vida o peito a agonia deleitar, estremecer. Nessa noite lua na janela enroscada nas tuas pernas eu sou uma em você.