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Sem limites

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fotografia por George Doyle Quero ser tua todos os dias nua e crua sangrenta e fresca sem cozinhar. Quero ser toda o tempo todo sem medo nem sonhos para acalentar. Quero ser inteira repleta, plena de desejos, carinhos virtudes e vícios e te viciar. Um corpo macio dormente, esguio pronto esperando num doce abandono para te encontrar. Limites vazios de linhas e esferas segura essa fera arrematada no cio pronta para atacar. E se eu te quero, um querer sem medida, aquece, acaricia. Liberta esse cio para te dilacerar.

Hora do Almoço

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Se me descrevo, não me revelo. Eu me escondo: palavras vãs. Saio da toca, volto depois. Placa na porta: vou almoçar. Se todos cantam, eu me encanto e sigo, insana: vou dançar. O cheiro cheio do meu perfume é feito lume: para te perder. Teço sonhos, velados contos e te atraio: vou te morder. Teço a teia, aranha esfinge. Resposta imberbe? Vou te comer.

Corpo

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um corpo um poço me afundo te inundo e ao fundo toca... música ou tuas mãos? tumulto insulto instinto faminto libido segura... meu corpo ou o lençol? momento movimento suspeito rolando abraçando gritar! prazer ou esquecer? e recomeçar...

Adeus

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fotografia por Jamey Stillings Eu me despedi dessa vida tão antiga acenando nosso adeus. Eu me reconheci num novo espelho o novo cabelo e as unhas vermelhas. Meu rosto não espera mais e o sorriso agora é só meu. Vai. Esse adeus é a última palavra entre nós. Te despedi me despedindo de ti. Sem olhos nos olhos. Sem estrelas na estrada. Me despedi te despedindo de mim. Caminhando e dizendo adeus... Vai, que eu fui.

Onde estará meu prazer?

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fotografia por George Doyle Onde é que estou se não reconheço meus traços? Onde estará meu prazer? Perdido. Um buraco negro no espaço. Um segundo entre dois passos. Um destino destraçado. Onde estará meu prazer? Eu o perdi num dia de chuva, numa tarde de sol, no brilho de um farol. O perdi numa tarde ventania em que o vento soprava enroscava, batia. Os corpos iam ao chão e o prazer se perdeu embrenhou-se num vão. O vão dos perdidos corpos vadios ventania vazia virada em brisa. Emoção que ficou numa noite esquecida.

Olhos

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Olhe nos meus olhos. O que vê quando me vê? Olho nos meus olhos. O que vejo quando me olho? O que olho quando me vejo? Olhe nos meus olhos. Vês o mesmo que eu? Quando me vês vês que quem te olha não sou eu? Olho nos meus olhos. Não vejo ninguém. Esses olhos vazios inertes, macios olham sem SER . Olhe nos meus olhos. Não podes me ver. Não podes me ter, acariciar, conhecer. Olhe nos meus olhos. Sem me ver podes me ouvir?

Estrelas

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figura por Christa Kieffer poesia por Ana Marques Meus pés fixos no solo, meus olhos no infinito. Minh´alma livre se dilui e se mistura com as estrelas. Não existe limite Mesmo consciente do chão debaixo dos meus pés. E conhecendo a gravidade sentindo essa ambigüidade... Estou voando através das estrelas... Encontrar meus iguais, meus diferentes. Descobrir, num momento de lucidez, que somos únicos que somos um nesse mar de estrelas...