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Sentido

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Por Persephone / Ana Marques Um passo de cada vez. Um sonho, um ponto de interrogação. Que sentido nos trouxe de volta nessa direção? Qual passado, que futuro calçou esse caminho? Pontilhou essa história? Ouço sua voz que me chama eu vou. Sem sentidos. Sem perguntas eu vou.

Striptease

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por Ana Marques Um striptease a cinta-liga no meu corpo eu desenrolo e te assombro. Como louca rasgo as roupas nas minhas mãos. Striptease vestes ao chão. E na volúpia, a luz da lua na pele alva. Striptease da carne fraca. E não ser salva pra desnudar esse destino. Striptease do meu caminho. Desperta a fera e a fera salta. Desnuda as garras. Striptease... da minha alma.

Sem limites

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fotografia por George Doyle Quero ser tua todos os dias nua e crua sangrenta e fresca sem cozinhar. Quero ser toda o tempo todo sem medo nem sonhos para acalentar. Quero ser inteira repleta, plena de desejos, carinhos virtudes e vícios e te viciar. Um corpo macio dormente, esguio pronto esperando num doce abandono para te encontrar. Limites vazios de linhas e esferas segura essa fera arrematada no cio pronta para atacar. E se eu te quero, um querer sem medida, aquece, acaricia. Liberta esse cio para te dilacerar.

Hora do Almoço

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Se me descrevo, não me revelo. Eu me escondo: palavras vãs. Saio da toca, volto depois. Placa na porta: vou almoçar. Se todos cantam, eu me encanto e sigo, insana: vou dançar. O cheiro cheio do meu perfume é feito lume: para te perder. Teço sonhos, velados contos e te atraio: vou te morder. Teço a teia, aranha esfinge. Resposta imberbe? Vou te comer.

Corpo

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um corpo um poço me afundo te inundo e ao fundo toca... música ou tuas mãos? tumulto insulto instinto faminto libido segura... meu corpo ou o lençol? momento movimento suspeito rolando abraçando gritar! prazer ou esquecer? e recomeçar...

Adeus

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fotografia por Jamey Stillings Eu me despedi dessa vida tão antiga acenando nosso adeus. Eu me reconheci num novo espelho o novo cabelo e as unhas vermelhas. Meu rosto não espera mais e o sorriso agora é só meu. Vai. Esse adeus é a última palavra entre nós. Te despedi me despedindo de ti. Sem olhos nos olhos. Sem estrelas na estrada. Me despedi te despedindo de mim. Caminhando e dizendo adeus... Vai, que eu fui.

Onde estará meu prazer?

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fotografia por George Doyle Onde é que estou se não reconheço meus traços? Onde estará meu prazer? Perdido. Um buraco negro no espaço. Um segundo entre dois passos. Um destino destraçado. Onde estará meu prazer? Eu o perdi num dia de chuva, numa tarde de sol, no brilho de um farol. O perdi numa tarde ventania em que o vento soprava enroscava, batia. Os corpos iam ao chão e o prazer se perdeu embrenhou-se num vão. O vão dos perdidos corpos vadios ventania vazia virada em brisa. Emoção que ficou numa noite esquecida.