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contraPartida

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imagem por: Chumbica Ele: Para dizer que te amo nada me custou. Para dizer o contrário está doendo muito. * Ela: Tudo custaria dizer-te que amo. Negar-te seria natural. Negar até fim das horas tua existência em mim, esta seria a minha verdade. Ele: Fácil negar o não acredito. Difícil é o desapego ao fim marcado, querido e exigido. Muitas das vezes só por nós. Ela: Vi-te partindo e dizia: fica. Os teus passos no caminho ao longe e repetia: fica. Olhei teus olhos fixos noutra rotina, ainda disse: fica. Ele: E de partidas fiz um parto de dor. Quebrei o elo e me reafirmei. Se não me és por que há de em ti ser? Ela: Olho a noite que me reflete, reflete teus olhos e nossos momentos. Elo partido nos espera. Ainda vives na noite que sou. Ele: Da noite vem o sereno. Do luar o seu brilhar. E desse amor, o que surgirá? Os 'nãos' do temido sim? Ela: Qual o sim que te posso dizer? Qual o não que nos pode aguardar? Se teu luar inunda minh´alma, só te quero viv...

Toque de Unha

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foto by GettyImages (Nome: Lovers - Uso livre) Poesia por Ana Marques Eu toquei você num golpe de ar que vinha. Mal sabia o que fazia enquanto minhas mãos em dedos, juntas e unhas minutos de força e dons de doçura tocaram o seu corpo. E o seu corpo ganhou proporções, padrões, texturas cores impensáveis, matizes e tons que eu mal podia prever. Unhas vadias, em sua pele, macias quando eu toquei você. Você: um rosto perdido em horizontes tardios. Longe, perto, tão distante. A loucura sincronizada. As mãos hipnotizadas cadeias de braços no corpo que toquei. Toquei, sim. Memorizei as linhas. Absorvi os poros que suavam em meu corpo e se fundiam em mim. E as unhas macabras ficaram marcadas na pele que arranquei. Arranquei desse esboço de tempo e em mim se perdeu. Rindo drinks, bebendo risadas, olhando margueritas em poses viciadas. Eu fui embora. Deixando intacta, restrita e quase muda, silen...

Não há nada

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Por Ana Marques Não há nada para enxergar através da fantasia de ser quem sou. Nega? Nega buscar o que não existe pelo prazer de se decepcionar? Negue... O vejo tentando encontrar o disparate que espanquei, que morreu e me restringia. Não. Não vá. Não há nada lá. Tudo pertence a mim. E lá somente resquícios que nada podem dizer sobre o que me construiu. Também não. Não há nada aqui. A não ser subsídios que te permitirão morrer sufocado de ânsia, desespero e... E sozinho. Porque eu, euzinha nunca estive lá nem aqui. Não me procure. Não poderá me encontrar nem eu sei onde fui me esconder... sozinha! Volte. Não há nada. Somente as marcas de quem foi, e nunca voltou.

Fogo e Gelo

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Por Ana Marques Que consigas passar pelo fogo que arde em mim... Que ultrapasses o gelo que enregela minha alma... Não sucumbindo aos dois, o que virá depois? Qual será do destino o desafio? Escorregarás, espiralando ao centro sem perceber meu contento e a sua perdição? Meus olhos nos seus submergindo envolvidos em areia movediça. Consciência da sua armadilha. Ainda assim me convidas?

Trocas

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fotografia por Fátima Silveira Poesia por Ana Marques Troca sua alegria por beijos de meio-dia? Noites mal dormidas em serenatas escondidas? Recebe nesse silêncio a paz que renova o seu senão. Refazendo todos os medos na paciência de artesão. E por fim... Aceita minha força em troca do seu coração. A necessidade desmedida de um sonho sem interrogação.

Noite sem luz

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Por Ana Marques Eu sou feliz todos os dias de sol e de luz. Mas noites existem a lua escurece inquieta minha alma afugenta essa calma meu corpo solta-se em torpor brota da pele o suor Nessas noites infeliz eu me enrosco nos lençóis que amarroto. Noites rasgadas, insones. demônios interiores e o tato estremecido. Rangem dentes, os sisos o corpo vaga ansioso prazeres caudalosos. As noites sem estrelas. Minha unha pranteia a pele que se arranhou. Os pés tateiam o escuro os braços abraçam o tronco pêlos arrepiam e roçam. A noite perde o prumo, os olhos esquecem o rumo. Inteira me sinto. Quando aponta o dia. Inerte, desfalecida o corpo de vida esquecida os olhos abrem devagar. Nem mar navega esses olhos, nem céu sobraça o rosto. Lá! O sol, grandioso. Iluminada por toda a cidade. Eu ardo. Sufoco de saudade. Só desejo a noite sem luz.

Importância

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Poesia por Ana Marques Não são as mãos que importam mas sentir Sente minha pele que pulsa pulsam vermelhas confissões brotando suor salgado de perdas inundação tátil de sons Não são os olhos que importam mas ver Enxergar o horizonte encontrado o saber quase salgado o lugar perdido que sussurra transes e transas noturnas Não é a música que cala mas ouvir Escute o canto inaudível da inspiração Murmure para que ninguém ouça Personifique verbos e sinônimos Perceba o sentido e se envolva Que não é sentir, ser tátil Que não é ver, ser visto Que não é ouvir, ser dito É viver, ser vivo.