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Presente

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imagem: Tenola Quero te dar um presente. Meu presente é o nosso laço [que nem precisava ser tão vermelho]. Ele é fincado na terra, sem ser jardim. É feito de ar, venta ao nosso redor e não nos derruba. Água que flui, sem nos afogar. E o fogo que há nele, que faz seu vermelho brilhar, é da própria existência do laço, que se faz intenso porque intensas somos nós. E de palavras fomos feitas, de sentimentos nos revestimos, bebemos tequila com poesia e tudo sem nos termos visto. E ainda assim quis para ti um presente... o criei à tua imagem e à minha semelhança. Podes compreendê-lo sem me ver? Para: A Menina Misteriosa , que hoje completa 1 ano de blog. Parabéns.

Engano

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imagem:  Bye, por NFeelings Cadê o seu rosto? e aquele monstro que dizia viver em você? Onde o escondeu? Por que o afogou no desespero de não ser e não reconhecer o desconhecido em si mesmo? Quais as mentiras que contamos pra nós? Quais as desculpas que nos demos pela nossa ausência? A presença na cama, no dia [que não termina] e na noite [que o desejo] não alucina. Ah, as expectativas das suas palavras são nuas de sentido e seu dilema é vazio de significado. O sexo, poderia ser bom, é o fim. Seus olhos me olham incapazes de me ver. Se eu o chamasse...? E quase que o chamo. Mas só digo... é engano. Sussurro, ao telefone, no seu ouvido: ela não mora aqui. Ana Marques

duO

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Imagem:  Karonj Ele: Não me contes teus segredos. Sabê-los destrói toda a genialidade de te amar. Ela: Meus segredos jamais desvendados, como saberás do amor que devoto? Viverás no escuro? Ele: Percebo-te não pelo que dizes em palavras, mas pelo que a alma da íris teima em esconder. Ela: Nada direi. Verás minh´alma nos desvãos das minhas mãos. Ouvirás meus anseios nos olhos que te brilham. Leia-me. Ele: Ler-te-ei pelos delírios escritos à pele. Ela: Que o tato torne-se teus novos olhos, teus dedos percorram a minha vida. Eis a via dupla do amor declarado: poderei ler-te também? Ele: Traduzirei meu sânscrito para fazer-me entendível. Farei quórum à pele e aos olhos. Ela: Deixa eu sussurrar verdades em tua retina. Farei-me clara e límpida, e mergulharás nos segredos que vivem nas profundezas. Ele: O profundo é tão abstrato que sofrerá variações dentro da mesma retina. Prefiro-te pela fotografia do agora. Ela: Do amor criei caminho, nele a fotografia desbotaria. Não...

Fica

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imagem:  Paulo Chacon "Fica comigo hoje? Esquece as promessas que sou incapaz de fazer. As perguntas que insistem em existir. Fica. Lembra apenas de mim" (curta conto, twitter) - @anamarquesss Fica comigo hoje. Esquece as promessas. Sou incapaz de fazê-las ou de criar a luz, porque sou da noite. Fica comigo hoje e não faça perguntas. Sou imperfeita em respondê-las. Minhas formulações rarefeitas não esclarecem ninguém. Fica comigo hoje e não especula tantas contradições. Guarda seus olhos, esquece sua voz que o nosso silêncio será saciado nos desejos que a noite alimentará. Isso. Apenas isso: fica.

Encaixe

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imagem:  LackColor Buscava o meu, o teu, o nosso dia. Nós poderíamos ter sonhado juntos. Encaixando vidas que não seriam ordinárias. Entretido o tempo que não teria hora marcada. Poderíamos... no entanto meu senão se transformou em porquê da tua fobia. Teus desencontros se perderam em meus soluços. Minha mão macia se moldou à tua nuca e te encaixou no meu quadril. Torci teus joelhos com meus pés e te tangenciei em mim. mas fugiste... e nós não nos encontramos. O espelho escureceu, as peças se soltaram. Não estamos aqui. Não te vi encaixado em mim. Não me viste enroscada em ti. Fomos desfeitos em blocos soltos para não mais nos cruzar. Ana Marques

Repúdio

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imagem: Rekha Garton A tua piedade grita por uma companheira na antiga bacia de escarros derramados... Não sei quem buscas nestas tuas andanças, mas sei que não serei eu a entoar o coro fúnebre com o qual recobres tuas vítimas. Descarrega-te de mim. Tua essência é a mentira contada, a invenção do século: renda-se ou te destruirei pelo fim da tua bondade. Bondoso é quem possuis debaixo das tuas asas de águia. (só não contas a ninguém que usa-te dos desavisados para alimentar as pequenas filhas-feras: indulgência, maledicência e a pobreza) Segue daqui, famosa ofensora. Detesto teu nome e destrato a tua existência. Nego-te em mim por não creditar feito algum ao teu modo vil de fazer-se valer aos que perderam tudo. (não a dignarei, não darei a ti nenhuma das minhas dores) A tua música chama a Pena a dançar e eu posso sentir-me envolvido pelos teus ombros. De início desviado, devolve-mes ao meio, recrutando-me o fim. Busca-me e te repudio. Ai piedade, que eu odei...

Sadismo

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imagem: free images (trabalhada pela autora) Na ânsia de possuir-te, não te posso libertar. O que faria sem tua voz enganando meus sentidos e vomitando minhas análises? Se tua soberba incomoda-me, tua sedução me atrai em vício. Somos doenças gêmeas de almas sufocadas. Vejo tua fronte suada em face da minha negação. E permaneço negando. Sou capaz de torturar-te para que teu sofrimento reverbere em mim, e tua dor seja também a minha dor. Somos a mesma ferida aberta, o mesmo pomo infectado de discórdia. Libertar-te? Não. Não solicita a cura que me libertaria. Se te mantenho ao meu alcance, é que a doença hoje tão forte e tão intensa é o que me faz ver a vida com coloridos vítreos. Engole a ansiedade. Eu pisoteio a piedade do teu lorazepam sadio. Não te escondas onde teu sentimento seria vendado nas escuras vielas da psiquiatria. Volta a mim. Quero-te doentiamente assim. Ana Marques ***  ***  ***  ***  ***  ***  ***  ***  *** ...