quinta-feira, março 22, 2007

Estruturalismo - Estudos Organizacionais

Sistematização
1) Visite uma organização em sua cidade ou, se preferir, faça uma visita virtual, acessando algum site de sua preferência. Pode ser uma escola, um hospital, uma empresa pública ou uma empresa privada ou do terceiro setor. Analise sua forma de funcionamento, sua organização e, depois, compare esses elementos identificados com a visão que você tinha do que é estrutura, conceito trabalhado nesta aula.Quais os pontos observados que reforçam este conceito?
2) Você incluiria algum ponto observado por você para ampliar o conceito trabalhado na aula?
Trabalho na Brasil Telecom. Gasto uma parte infernal do dia atualizando softwares e planilhas e documentos que controlam outros documentos que controlam solicitações que controlam usuários que controlam vendas que controlam clientes.
Ufa!
Estruturalmente falando, está claro o tanto que as organizações possuem departamentos e controles infinitos para efetuar as "corretas" interdependências de forma que o trabalho ocorra sem traumas e com a maior eficiência possível. Todo esse controle, que citei ali em cima, serve para isso. Para que o fluxo seja contínuo e "organizado", além de bastante documentado para que todos tenham certeza do que todos estão fazendo.
Assim a abordagem estruturalista - que une a estrutura organizacional com a interferência humana - prima por falar que a estrutura é maior que a soma das suas partes. É bom lembrar que as partes somos nós: seres humanos.
"O Todo é maior que a soma de suas partes"
(frase destacada na matéria como sendo utilizada pela maioria dos autores estruturalistas)
Não me entendo bem com esse conceito. E logo abaixo explico porquê.
Para qualquer empresa, seu objetivo maior é mais importante que as pessoas que possibilitam o alcance desse objetivo.
O funcionário, genericamente, é tratado como o inimigo. Aquele que vai errar, trazer problemas, fazer malfeito, esconder erros. Trabalha-se para evitar o erro, que certamente virá.
Por quê?
Por que nas organizações pessoas trabalham contra pessoas em prol da organização?
Por que em vez de treinar e capacitar pessoas, em vez de tratar pessoas fazendo com que elas tenham responsabilidades, em vez de buscar fazer de suas partes as melhores partes possíveis destaca-se o que há de pior?
Por que a soma das partes é menor que o TODO?
Por que o TODO se arvora na importância maior de um deus supremo?
Por que as pessoas - que são as verdadeiras responsáveis pelo sucesso de qualquer empreendimento - são sempre penalizadas nele? São as pessoas que transformam matéria prima em produto de venda, são as pessoas que vendem os produtos de venda, e finalmente são as pessoas que compram o que quer que se esteja vendendo.
Não existe organização alguma sem pessoas que façam parte dela.
A organização não é maior que as suas partes.
Ela é o resultado delas.
Minha crítica ao estruturalismo vai aí. Parte que é parte, se deixar de existir, vai mutilar o TODO.
Que todo tão maior é esse?
Uma hora dessas vou criticar outro aspecto disso: a idéia (absurda) de chamar pessoas de recursos.
Outra hora, agora está tarde, de novo.

sexta-feira, março 16, 2007

Tudo bem. Tudo bem. Tudo bem.

Plim! Plim!

Rosa queria casar na primavera, mas aceitou casar no outono.
Cara de conformada: Tudo bem.
Rosa queria passar a lua de mel na praia, mas aceitou passar na cidade.
Cara de songa-monga molhada (já que chovia): Tudo bem.
Rosa queria morar no oitavo andar, mas aceitou morar no sétimo.
Cara de songa-monga andar abaixo: Tudo bem.
Rosa queria passear no zoológico, mas aceitou passear no parquinho.
Cara de songa-monga feita de songa-monga: Tudo bem.


Tudo bem???
Tudo bem o quê?

Rosa! Chega de tudo bem! Você já pode ser exigente!!!
Rosa, seja exigente!
Rosa, estou mandando você ser exigente!

Cara de songa-monga pau-mandado: Tudo bem.

Para tudo!
Como assim tudo bem, Rosa?
Teu casamento perdeu as flores e ganhou folhas secas, tua lua de mel perdeu a magia da praia e ganhou a chuva fria na cidade cinza, teu apartamento perdeu a vista e ganhou a visão da janela do vizinho, você queria ver os bichos e serviu de alvo no parque?
Como assim tudo bem, Rosa?

Sai dessa vida!
Não é questão de ser exigente, Rosa!
É questão apenas de ser.
Crescer e aparecer, Rosa.

Crescer, sair da casca, aprender a respeitar seus desejos e principalmente aprender a QUERER.

Sem tudo bem, Rosa.
Tudo bem?

quarta-feira, março 14, 2007

Me olha. Me olha de novo.

"eu quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa

está por dentro

ou está por fora



quem está por fora
não segura um olhar

que demora



de dentro de meu centro
este poema me olha"



Paulo Leminski





Já dizia o comercial da Seda:





Me olha.
Me olha de novo.





Ei, quem está passando por aqui.
Se alguém passou...



Me olha, me olha de novo.



Queremos ser olhados. Todos queremos.



Seja fazendo gracinhas para bebês.
Gu, gu. blúuuuur... olha o aviãooooooo.



Seja fazendo piadas sem graça.
Qual é a piada do pinto? (...) Piu.



Queremos capturar a atenção alheia.
Ouça minha idéia, veja minha intenção.





OLHA PARA MIM!

No filme "Dança comigo" - com Richard Gere, Susan Saradon e Jennifer Lopez - num diálogo fantástico de Susan Saradon, ela defende que nos casamos para termos uma testemunha de nossas vidas. Para que nossa vida não passe em branco e tenhamos certeza que alguém nos viu.

A Seda sabe tudo.

Me olha.
Me olha de novo.

Se olharem as pessoas daquele jeito - como acontece nesses comerciais - nunca mais usarão outro xampu.

Vai ser sucesso absoluto de vendas.

terça-feira, março 13, 2007

Transcendência da arte

Ciência da Religião, aula 3 (de novo!)

Leitura do texto: Arte: A Religião de Corpo Inteiro, de Nabor Nunes Filho.

Nele deveríamos procurar entender o significado das expressões: “a busca da transcendência”, “a experiência do vazio”, “ausência” e “sonhos e utopias”.

A busca da transcendência trouxe a visão que tenho de arte, e que coloquei no post anterior. Com exemplos, inclusive.

Mas destaco abaixo a frase que realmente me tocou, no texto:

"É a arte que nos convence que o mundo em que vivemos não é único mundo possível."

A arte transcende e recria a realidade. Vai além.
O vazio que fica, é o vazio que eu desejo preencher com a lembrança do que vi, com uma nova visão.
Ausência é falta, disse Drummond, e falta é a constatação da importância, da força, da legitimidade.
Sonhos e utopias tenho vários: um mundo pleno de beleza, arte para todos, o mundo modificado pela arte.

Será que me fiz entender?
Está tarde de novo. Mas amei essa aula. Vou ler de novo outra hora.

segunda-feira, março 12, 2007

Expressões da arte

Ciência da religião - Unidade 1, aula 3


"A expressão artística, no seu sentido mais amplo, constitui uma afirmação criativa e estética, além de ser uma clara representação simbólica do universo, tanto em termos objetivos, quanto subjetivo ou psíquico. "


Maravilhoso, não é?

Arte.

Expressão.
Universo.
Todos nós.

Arte na Tela - Pincéis

Jan Veermer.

Um brilho, uma luz, a força expressiva de um gênio.
O olhar perdido na janela. Pode-se imaginar o que ele está vendo, pode-se querer ver o que ele está vendo.


Arte na Tela - Cinema





Minha vida sem mim.
A decisão, a força, o incomum.
Sem a falsa idéia de que somos imortais, vivemos.

Arte nas letras - Literatura


Clarice Lispector.
"Viver, disse ela naquele diálogo incongruente em que pareciam se entender, viver é tão fora do comum que eu só vivo porque nasci."
Que adjetivos usar para quem emergia das próprias palavras e - aos nos entregarmos - nos submerge a todos?

Arte na voz - Música

Nina Simone.
Um timbre faceiro, certeiro. Triste, as vezes. Muitas vezes, na realidade.
Viu os pais serem tirados dos seus lugares para quem um casal branco sentasse, mas ainda assim cantou.
Provavelmente mais lindamente ainda, porque a dor implícita comove.

Ouça e se emocione-se: I Put a Spell on You


Arte na música - Composição

Chico Buarque.
Ele entra na alma. Na vida. Nas entrelinhas.
Desvenda. É tudo.

"Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança"
(Bom conselho)



Arte nas rimas - Poesia

Drummond.
Tão unânime que é quase um clichê.
No tarô, em óleo sobre tela, ganhou a carta do Mago.
O Mago das Palavras.
Sábio Tarô. Sábio pintor.

"Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."
(Amar, retirado de: Memória viva de Carlos Drummond de Andrade)


Arte, enfim.
Que não nos mostra o que sentimos.
Mas que é o que sentimos.

Poucas vezes uma definição fez tanto sentido para mim.

domingo, março 11, 2007

Eu jogo tarô, sim. Algum problema?

É. Eu jogo tarô.

Jogo mesmo. De montão. Adoro vasculhar tudo: vida, sonhos, paixões, profissão, decisões, carreira.

Vasculho mesmo, e faz tempo, viu? Desde que eu tinha 16 anos.

Já cansei de receber olhares céticos. E aqueles olhares surpresos, então?

O que? Você joga tarô? Mas isso funciona?

Aí tasca eu ter que explicar como eu jogo tarô. Como eu vejo o funcionamento dele. E como isso, se for explicar para os céticos dos céticos, não faz sentido algum.

E quem disse que tem que fazer sentido?

Apenas funciona, na maior parte das vezes. E muitas vezes, não funciona exatamente porque a gente não quer que funcione, a gente quer mudar e aí muda. Tarô não é sinônimo de grilhão, ninguém está preso a um futuro escrito.

A gente só fica preso as nossas próprias limitações.

Cansei, nesses tempos de conversas tarológicas, de conversar com pessoas presas a inúmeros padrões comportamentais. Dava para ver claramente a linha de raciocínio que a(o) fulana(o) seguia (apesar da maioria ser mulher, homens também gostam muito de tarô). Eu via, o tarô confirmava, exatamente aonde a coisa ia dar... Mas as pessoas escolhem as estradas, e os buracos, desvios, blitz, engarrafamentos pelos quais vai passar...

Mas voltando... legal mesmo era ver além do olhar cético, a famosa pergunta "isso funciona, mesmo?" seguida pela fatalística "joga para mim?".

São momentos interessantíssimos, que vão da total descrença a uma surpresa velada (principalmente entre os homens, é difícil eles admitirem que acertei e dar o braço a torcer). Depois, pode rolar uma estranheza total, como se eu fosse um ser de outro planeta.

E o medo?

hehehehehehe

E quando rola aquele medo que eu seja uma daquelas "madame-espírita-vidente" que vai saber TUUUUUUUUUUUUUDO da vida de alguém e de repente... ahá(!) vá enfeitiçá-la para obrigá-la a me consultar todos os meses, resolver problema de amor, dinheiro, sexo, drogas e rock´n roll?

ai, que meda.

E do alto desses meus 1,59 de altura... confesso que sou de dar medo, mesmo. Quando eu pego o tarô a sério (sim, porque ele também é diversão, né Tati? hihihihihi), tem gente que não dá conta. As vezes, nem eu dou conta. O tarô conta histórias, e nem sempre as histórias tiveram (ou terão) finais felizes. Alguns não poderão ser mudados, outros não poderão ser corrigidos.

O velho clichê "de perto ninguém é normal" é mais verdadeiro do que vocês pensam. Ninguém é muito normal mesmo, até porque a normalidade é uma doença.

Ninguém é mais perigoso do que o Seu Certinho. Aquele cara que não grita, não esbraveja, não fica chateado, compreende tudo, aceita tudo, está tudo bem.

É como o comercial da Ford, no Novo Fiesta: "chega de tudo bem, agora você pode ser exigente."

Todos temos que ser exigentes. A vida, até que provem o contrário, é uma só. Então ser exigente com a própria vida, é dar valor à ela.

Sendo assim, quem aparecer por aqui, fique sabendo:

É, eu jogo tarô. E adoro internet, blogs, informática, livros, poesia, filmes cabeça, comédias românticas, cristais, florais de Bach, ciganas, rosas, damas da noite, café morno, lua nova, chá frio, frutas grelhadas, novidades, conversa virtual, conversa real, carinho, runas, dança, bares, pubs.

Amo Sampa de todas as formas possíveis. Descobri que amo o Rio de Janeiro, mas não (!) - obrigada - não quero ser carioca. Brasília é um alívio, uma descoberta e ainda um enigma, um dia desvendo. Desejo ardentemente proteger meus filhos de tudo e todos, mas não posso e vou ter que viver com isso.

A beira dos 35 anos, passei da fase de agradar aos outros e de ficar me explicando.
Sendo assim, essa sou eu. E muito mais.
Talvez nem eu saiba tudo, mas vou seguir descobrindo.

sábado, março 10, 2007

Dia da mulher - Considerações

Deixei passar dois dias. Fica batido esse lance de escrever sobre algo em cima da pinta.

Fica um oportunismo latente no ar (algo como: hehehehe quero ter mais leitores vou escrever sobre o dia-assassinato-notícia-tragédia do dia)

Buenas... deixei passar esses dias até para ler sobre o assunto, ver o que iriam dar de presente para as mulheres, qual seria o foco desse dia da mulher.

Acabei lendo uma discussão, numa lista fantástica sobre Litteratura que eu frequento, sobre a validade do dia. Que, é claro, essa validade pode ser estendida para todos os outros dias existentes (consciência negra, do índio, do orgulho gay, etc.). E fiquei cá comigo e meus botões (que botões, doida? Tu tá de camiseta!) pensando sobre como eu encaro esses dias e sua importância.

Minha conclusão, apesar do suspense que eu pretendia fazer, é que são dias válidos sim.

Os dias criados, apesar da posse imediata que o comércio costuma fazer deles, tem como objetivo alcançar um número maior de pessoas em prol de uma determinada causa. Ter um dia para isso faz com que as pessoas consigam mais espaço para discutir o que precisa ser discutido, que vejam o que precisa ser visto, que comecem a compreender o que precisa ser compreendido.

O dia da mulher ressalta a condição da mulher de luta por uma sociedade mais igualitária, menos violenta com os fisicamente mais fracos, uma sociedade que deixe de ser veladamente preconceituosa enquanto é vistosamente politicamente correta. Todos somos coniventes com a violência com a mulher, até que eduquemos nossas meninas para não aceitarem a violência em hipótese alguma, até que eduquemos nossos meninos para que não sejam violentos em hipótese alguma.

E quando eu falo de violência, não é apenas uma questão da física: mas da emocional e da psicológica. É um fardo pesadíssimo tudo que se despeja nos ombros femininos. A mulher é mutilada a cada dia em que se dispõe a ser inteiramente maravilhosa e a dar conta de tudo. Ela é mutilada em sua essência de ser humano quando - nas entrelinhas - cobra-se dela que eduque os filhos, trabalhe, administre a casa, cuide das contas, mantenha-se bonita, invista na carreira, seja inteligente, culta e atualizada.

Ser humano é alguém que, por natureza, tem limitações. Ninguém dá conta de ser tudo ao mesmo tempo agora. Ninguém pode sobreviver, sem entrar num stress e culpa profundos, com uma montanha dessas nas costas. Mas no fundo, lá no recôndito de cada um (homem ou mulher, veja bem! A cobrança vem de todos os lados), quem é que não pensa assim: elas não quiseram direitos iguais? Não quiseram sair para trabalhar? Agora aguentem.

Ah, claro. As heroínas do movimento feminista da década de sessenta, as fantásticas trabalhadoras que fizeram greve (e foram queimadas) por uma jornada de trabalho menor, e milhares de mulheres que fazem diferença dia a dia querem realmente direitos iguais.

Mas em que momento do manifesto estava escrito: sobrecarga de trabalho? Em que ponto foi que a sociedade entendeu que a mulher ia acumular tarefas apenas?

Assim é fácil mudar a sociedade, não é mesmo?

A gente muda cosmeticamente. Finge que aceita que a mulher tenha direitos iguais, mas oprime cada uma delas com uma carga tão excessiva de responsabilidades e deveres que elas irão desejar ardentemente voltar tudo ao que era antes.

Quem são nossas heroínas de hoje?
Quem são as nossas representantes na mídia?
Cadê as mulheres fortes para nos representar na TV, no rádio, nos comerciais?

O que vejo na TV são mulheres de plástico, siliconadas em todas as partes possíveis. Com discursos altamente ilustrativos sobre cosméticos, exercícios e a importância da beleza para vencer e ser feliz. No Brasil, pode parecer incrível, mas somos os campeões em lipoaspiração e na venda de cremes e afins.

Alguém lembra daquela "sem-terra" que posou nua para a playboy?
Ela tinha três filhos e uma situação complicada de vida. Mas sabem qual foi a primeira coisa que ela fez com o dinheiro pago pela revista? Quem apostou na lipoaspiração, ganhou.

Não seria sintomático isso?

Uma novela acabou recentemente. Não, eu quase não assisto novelas, é sério. Acho piegas e previsível. Mas eu queria ver, nessa, como ia ser tratado o assunto da síndrome de down, e a promessa de falar sobre a indústria da cesariana no Brasil...

O tratamente da síndrome foi interessante. A menina, Joana Morcazel, era absolutamente uma gracinha. O assunto sobre cesarianas foi pífio. O discurso sobre preconceito racial foi inócuo. O preconceito contra portadores de HIV positivo foi praticamente inexistente.

Na novela tudo é escancarado, na vida real tudo é nebuloso. Ninguém agride (a priori) um negro porque ele tenta abraçá-lo, as pessoas se esquivam. As pessoas não lavam a mão freneticamente na frente de um portador de HIV, elas passam álcool quando o mesmo sai de perto. Raramente uma professora vai maltratar uma criança com síndrome de down, ela vai deixá-la de lado e tratá-la como alguém que tem que ter tudo mastigado. O preconceito (de uma forma geral) é sutil, velado, escondido.

Mas o ponto alto dessa novela foi outra coisa: foi o preconceito velado contra a mulher. Esse sim foi de uma realidade impressionante, talvez porque não tenha sido de propósito.

Povo, quem foi que ficou com o mocinho no final? Foi a menina casadoira, virgem, politicamente correta, simples, ingênua e apaixonada. Ou seja, o protótipo da boa moça dos anos 50. Quem foi que perdeu o mocinho por colocar a carreira em primeiro plano, por estar disposta a viajar em vez de casar, por não abrir mão de si mesma em prol do amor?

Ahá! Como eu disse: preconceito velado.

E no último capítulo eu ainda tive o desprazer de ver uma cena em que essa mulher - bem resolvida (ou deveria), bonita, profissional - dizer para a amiga para casar logo com o namorado, porque ela tinha ficado fazendo doce e o mocinho havia preferido a mocinha simples do interior.

A mensagem aqui foi clara: AGARRE SEU HOMEM! Antes que ele agarre outra...

Sendo assim, a pressão está aí. Somos pressionadas a ter profissão enquanto o amor não vem, enquanto os filhos não vêm. E depois pressionadas a sacrificar tudo, ou a parar de dar a devida atenção, em prol do que é nossa obrigação.

Ou seja: enquanto sua tarefa de verdade não chega, vocês podem brincar de direitos iguais.

Captaram?

sexta-feira, março 09, 2007

Viver de brisa, parte II - A revelação.

"Desde maio de 99, o casal Steve, 36, e Evelyn Torrence, 39, riscou do mapa as refeições diárias que fazem parte do cotidiano de boa parte da humanidade."

(trecho de notícia do post anterior: Viver de brisa? Ciência x Crença)

Ninguém notou nada estranho nos grifos?

Eu notei agora.

Refeições diárias deveriam fazer parte do cotidiano de toda a humanidade.
E não faz, a gente sabe, mas poucas vezes cai em si com isso.

O pior: tenho certeza que a pequena parte que não faz refeições diárias, não é porque vive de brisa.

* os grifos são meus, claro!

quinta-feira, março 08, 2007

Viver de brisa? Ciência x Crença

Laboratório do Saber - Metodo logia Científica

"Desde maio de 99, o casal Steve, 36, e Evelyn Torrence, 39, riscou do mapa as refeições diárias que fazem parte do cotidiano de boa parte da humanidade. Brasileira, radicada nos Estados Unidos desde 1998, Evelyn ostenta um corpo enxuto, de 47 quilos, distribuídos em 1,66m. Está bem longe da imagem de alguém supostamente desnutrido - mas não ingere comida há quase dois anos.
Na realidade, não é que eles não se alimentem de nada: a "comida" deles é "prana", a energia universal obtida a partir da respiração e da absorção da luz solar. Algo como a fotossíntese realizada pelas plantas que, no caso dos humanos, seria feita pelas glândulas pineal e hipófise, segundo Evelyn."
Reportagem completa:
Revista Planeta na web

Experimento 1
No trecho de reportagem acima, nós vimos que fatos absolutamente inusitados para a maioria das pessoas podem colocar em cheque conhecimentos antes considerados irrefutáveis. No caso, a necessidade humana de reabestecer sua energia pela ingestão de alimentos. Será que existe certeza ao conjecturar que existem mais coisas no mundo do que aquilo que a ciência consegue explicar? Pense a respeito. (modificado, para não publicar um texto mais extenso)

Pensar. Estou pensando.
Sério. Eu juro!

Vamos contextualizar: nessa aula tratamos da visão que a maiora das pessoas tem sobre a ciência como representante da verdade absoluta. Esse texto trata de um determinado assunto rechaçado pela ciência e que normalmente seria também rejeitado por um bom número de pessoas por considerar que é cientificamente impossível. O que a professora Ida deseja de nós, alunos, e o que eu desejo de mim, blogueira eventual, é uma discussão de mim comigo mesma no âmago do meu eu.

Não sobre a veracidade dessa história em si. Mas sobre o argumento que mora na ponta da língua de um número gigantesco de pessoas: está provado cientificamente.

Aí que eu e este amoroso blog entramos: para discutir o assunto.

O conhecimento científico baseia-se em métodos, provas e experimentos. A intuição, entre os cientistas, pode ser utilizada como um ponto de partida. Mas ninguém aparece numa conferência internacional de físicos falando que intuiu que Deus existe e que se os sapos forem beijados por princesas, das pedras azuis do mundo irá brotar leite e mel (vixe, que mixórdia de lendas e contos eu fiz aqui!). Da mesma forma, quem entrar numa convenção de astrólogos dizendo - o velho argumento mais que batido - que por causa da precessão dos equinócios quem nasceu em março não é mais de peixes, mas de áries, vai levar um passa-fora daqueles! E com razão.

Não rola. Cada um na sua.

O conhecimento propagado pela astrologia pode não ter chance de ser provado, mas foi usado por milênios e até hoje - individualmente - existem pessoas que se sentem auxiliadas pelo método.

A ciência, por sua vez, criou e negou teorias. Seu cabedal é dinâmico e os cientistas aprendem a cada dia, melhoram e aperfeiçoam seus métodos e descobertas numa busca sem fim.

O fato da astrologia não ser comprovada impede que ela continue sendo um consolo/alívio/ajuda para as pessoas? Não. Por mais que os astrônomos gritem indignados com isso.

O fato da ciência rever seus conceitos e melhorá-los impede que ela continue sendo um portal para a compreensão da natureza, do ser humano, do comportamento e da vida de uma forma geral? Não. Por mais que esotéricos e religiosos estrebuchem de raiva com os inúmeros experimentos que negam a comprovação da sua crença.

Volto a dizer: cada um na sua.

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Agora, voltemos ao assunto em questão: viver de brisa?

Gosto do esoterismo de uma forma geral. Gosto de pedrinhas, de florais, arruda debaixo do travesseiro, essências, essas coisas. Amo tarô e não quero que ninguém acredite que funciona. Essas coisas funcionam para mim, ponto.

Agora, esse lance de viver de luz me cheira uma tremenda enganação.

Viver de brisa? A força do prana?

Como foi dito por um médico "se o psicológico pudesse manter vivo alguém que não come porque acredita que não precisa, anoréxicas não morreriam".

Se a dona que escreveu o livro não estivesse ganhando rios de dinheiro com o livro e palestras, se ela não tivesse comida em casa, se o resultado do teste que ela ia fazer em 2001 tivesse aparecido em algum lugar (curiosamente a notícia do teste saiu em revistas esotéricas, mas o resultado, não!) e principalmente, se ela usasse esse conhecimento espetacular (?) para ajudar as pessoas que passam fome e que ela insiste em dizer que "não precisam de comida" a superar esse vício... Talvez eu a respeitasse. Talvez não achasse que ela é uma tremenda impostora. Uma fraude total disposta a ganhar dinheiro a qualquer custo.

Buenas, essa é apenas e tão somente a minha opinião sobre esse assunto em particular.
Quem quiser acreditar, não esqueça tomar as seguintes providências: doar os tickets e dinheiro do supermercado a algum orfanato, dar alimentação aos filhos porque os pobrezinhos não tem nada com isso, separar uma poupança para qualquer emergência e fazer um testamento no caso de acidentalmente morrer de inanição.

Sabe-se lá, né? Os parentes não deveriam pagar pela crença de ninguém.

Internet para quê? Futuro? Influências?



Como você utiliza a Internet em seu dia-a-dia?
Quais as suas impressões sobre o futuro da Internet?
Como você percebe as influências da Internet na sociedade?
Aula de "Informática aplica à Ciências Sociais". É o tema do estudo da semana passada, mas mesmo assim, se vou começar essa pemba, que seja direito!
A Internet, essa que indiretamente vos fala e permite que estejamos aqui a dialogar (ou eu a dialogar sozinha, whatever). Para que eu uso a Internet? O que faço com ela?
Bom, seria mais fácil elencar o que eu não faço: eu não busco romance (não mais, hehehe), não troco carinhos físicos, não me alimento (por enquanto, um dia chego no nível de Sandra Bullock em "A Rede"), não durmo, não passeio ao ar livre, não amamento meu filho, não faço amor.
Fora isso... (perdoem algum esquecimento, sou vítima da hora e da minha obssessão em terminar isso!) não me lembro de nada que não faça pela Internet. Eu trabalho, escrevo para os amigos, faço poesia, leio tarô, leio livros, ouço música, compro, visito lugares, troco palavras afetuosas, crio tarefas, pesquiso curiosidades, estudo inglês, faço faculdade...
Até pela minha profissão (analista de sistemas), pela empresa onde estou alocada (Brasil Telecom), e por uma sede infinita de inúmeros conteúdos que rolam por aqui (ou seria marolam?) estou quase sempre conectada. As 9:00 da manhã eu ligo meu computador, e se não fosse por um breve período entre a saída do trabalho e colocar o bebê para dormir, só vou desligá-lo à meia-noite, em média... E todo esse tempo a Internet está a mil!
Sendo assim, a resposta é simples. Como eu uso a Internet no meu dia? Eu não uso. Ela é parte do meu dia-a-dia. Simples assim.
Agora, o futuro da Internet.
Ihhhh!
Pera que vou buscar o tarô!
Ok, o tarô me diz que a Internet veio para revolucionar, para ficar e principalmente, para nos fazer pensar e repensar. Ela está em tantos lugares, seu conteúdo é tão livre, que talvez em breve já não seja mais tão livre assim.
Criou-se um boom de mau-uso na rede com duas idéias errôneas sobre a internet: que ela era anônima e que nela tudo era inocente e podia.
Duas vezes errado.
Um bom hacker vai te contar que quase tudo que se faz na internet hoje pode ser rastreado. E os administradores de segurança estão criando e usando programas cada vez mais complexos para identificar usuários mal-intencionados. Sendo assim, a não ser que o ser humano em questão seja fera (!) em linguagens de programação, protocolos, redes, etc., pode esquecer essa idéia de que é anônimo. É simplesmente uma questão de falta de interesse dos sites de publicar ou liberar o acesso da justiça aos nomes dos usuários que passam por suas páginas e servidores. Na hora que a lei sobre crimes digitais ficar mais clara, e houver mais especialistas, certamente esse cenário ilusório de anonimidade será extinto.
Outra coisa, a idéia (ridícula!) que na Internet pode tudo: falar o que quiser, ser quem quiser, agredir a quem bem entender e não responder por isso.
Em que definição da web está escrito que é um lugar onde a responsabilidade é conceito inexistente?
Ah! Me poupem.
É o básico do básico. Fez, falou, agrediu, ameaçou, vilipendiou? Assuma. Arque com as consequências. A internet é apenas um reflexo virtual da vida que levamos aqui fora. É Alice olhando a si mesma de dentro do espelho. Acreditar que um nickname vai te proteger das bobagens que faz é de uma inocência estúpida. Achar que porque está na rede não será levado a sério é ingenuidade.
Ofendeu a mãe por e-mail? Num comentário de um blog? Difamou ou atacou pessoas porque acordou de mau humor?
Sinto muito para você, mas ninguém tem nada com isso. Se quem foi ofendido resolver tomar satisfações as consequências são as mesmas se você gritasse contra a pessoa em plena W3 Sul/Avenida Paulista/Avenida Atlântica (cito três lugares que conheço - Brqasília, Sampa e Rio - outros estados terão que esperar que eu viaje mais para poder colocá-los no próximo post).
Pode confiar em mim. Responsabilidade é o complemento da liberdade.
A última (graças aos Deuses! Estou morrendo de sono): a influência da Internet.
Buenas... a maior influência, a meu ver, é que a Internet me propiciou conhecer profundamente a ignorância do brasileiro sobre seu próprio idioma.
Ah! é claro que existe a disponibilidade de conhecimento, o acesso inclusivo do mundo digital, a revolução de costumes, o contato com pessoas distantes, a possibilidade de fazer inúmeras coisas sem sair de casa, etc.
Mas algo que ainda me espanta e que por isso elejo como influência maior é a (in)capacidade desnuda dos brasileiros de expressar-se. É absolutamente desesperador a quantidade de fóruns, chats, e-mails, listas de discussão e blogs onde encontro uma infinidade de incoerências, textos ininteligíveis, argumentos ridículos, gramática nula.
E não! Não são as ditas pessoas pobres e que normalmente são colocadas num saco homogêneo de ignorância catalogado de discrepâncias sociais. Estou falando da classe média, que tem acesso à banda larga, TV à cabo, jornais e revistas. Estou falando de universitários, estudantes do ensino médio, diretores, gerentes, supervisores de empresas. Estou aqui citando pessoas que deveriam conhecer o básico. Que deveriam conhecer a diferença entre cessão, sessão e seção, aplicando corretamente cada palavra em seu contexto. Que deveriam ter aprendido há tempos que a palavra coco (fruta) não tem acento, senão vira um cocô, literalmente.
Por isso, embora eu veja claramente que a maior influência da internet se deu nas comunicações interperssoais, eu gostaria que fosse na educação. Uma educação que foi de tal forma esquecida e relegada que até mesmo aqueles que poderiam ser privilegiados (e cultos), não o são! Um meio poderoso como esse poderia ajudar a reverter essa situação.
Aí encerro com o trocadilho infame de um colega, tirando sarro de sua própria ignorância.
Um caro colega está ouvindo Fagner e comenta:
- Compositor maneiro.
Concordo, mas corrijo:
-Essa música que você está ouvindo é um poema da Florbela Espanca.
Aí vejo aquele sorriso que precede toda frase que poderia deixar de ser dita:
- Espanca quem?
Espancarei eu a cabeça dele, até que as sinapses voltem a funcionar.
Arre!
Estou ficando mal-humorada. Hora de ir dormir.
Fim da conexão.

Narcisista, eu?

Buenas, quem aparece por aqui sabe que eu comecei faculdade.

Estou estudando à distância para estar mais perto dos meus filhos.

Hum, pareceu quase incoerente a distância propiciar a proximidade? Também achei. Males da Internet que quando menos esperamos muda tudo, cobre distâncias imensas sem que saiamos (fisicamente) do lugar.

Ah, mas voltemos à vaca fria.

Ao final de cada aula, preciso fazer exercícios para sistematizar o aprendizado. A faculdade é de Administração - que faço à distância para ganhar proximidade (eitcha, isso está ficando repetitivo!) e tempo - e como boa administradora do meu tempo, vou matar dois coelhos com uma cajadada só: postarei minhas sistematizações aqui.

Não tem graça escrever exclusivamente para mim.
Gosto de escrever para milhões.

Ops!

Então é melhor divulgar mais meu blog... ou esses milhões vão ficar na Tatiana, no Jan e uma ou outra pessoa que escorrega por aqui de vez em quando...

Mas voltando à vaca fria de novo...

Não vou ficar escrevendo para que meus textos fiquem escondidos no fundo de diretórios frios e solitários do meu notebook...

Confesso que gosto de aparecer. ;) Gosto sim de ver refletida na minha tela aquilo que eu mesma escrevi. Vivo relendo textos e pensando "escrevi mesmo esse trem?". Orgulho da mamãe!

Seja como for, vai que sai alguma coisa que ao menos faça os leitores rirem e os amigos se perguntarem se não ando trabalhando demais e dormindo de menos...

Whatever... (gancho para treinar o inglês)

Preparem-se: atualizações diárias, viagens na maionese e muita administração.