segunda-feira, março 31, 2008

Vazio

Olho para os lados:
ninguém.
Cidade vazia que vejo,
que passa num lampejo.

Cantos da casa e poeira,
alguém?
O barulho da rua vazia,
a lembrança da vida corrida.

Memória do barulho e carência
também.
Recordações de crianças correndo, alegria
domingo, macarrão e frango, família

Nenhum barulho perturba ou
entretém.
Televisão preenche o vazio,
ruídos, a solidão abrevio.

Tristeza, solidão e vazio
mantém.
Preciso fugir dessa masmorra.
Saio, antes que eu morra.

Obs: Amigo Chip, a poesia é minha, os sentimentos são seus.

domingo, março 30, 2008

A Criadora de Tudo

Sou aquela que se ergue do fundo dos mares
porque os criou.
Sou aquela que surge das profundezas dos vulcões.
Lava e água.
Mar e erupção.
A terra que se abre
é o meu corpo.
Tua face é meu rosto.
Tua ferida minha infecção.
Sou seu chão.
Dos céus, raio e trovão.
O centro do planeta
em ebulição
é o meu coração.
Bate coração, que a vida é criada
do útero, da fúria vivificada.
O meu sonho é o sonho de todos
no redemoinho que é a minha canção:
A canção da criação.

Dança

Vem dançar comigo...
povoar minha vida
dos teus passos.

Nos rodopios em que enlevas,
minha alma a levitar.
Me faz cruzar o céu
Entender o universo...
Vamos dançar bem perto.
Tocar teus cabelos,
sentir os teus dedos.

Leva para teu corpo os meus sentidos.
Dança comigo.

Meu no teu corpo,
a suavidade e a leveza
a força e a coragem.
Faz girar meus pés,
me puxa de volta.

Coloca teus braços em minha cintura
criar a fada que voará em tuas mãos.
Gira meu corpo no ar
e me faça voar...

domingo, março 23, 2008

Duelo

A verdade me olhou nos olhos
e respondeu:
É mentira!
Não fui eu
que desfiz sua vida.

A mentira ria
e respondia:
É verdade!
Ela engana
que não estraga,
mas suas entranhas
são amargas.

Exasperada,
a verdade argumentava:
Ela mente!
Perceba só
que amor que é pó
Não tem nó
que o segure.

Divertindo-se muito,
a mentira finalizou:
É verdade, de ignorância vive o amor.
Acenda a luz, o amor fugirá.
Implore, mas não voltará.
Cegue-se e nunca faltará.

Duelaram...
e desistiram.
A verdade mentia para se safar,
a mentira era sincera para atacar.
Na minha cegueira
intensa clareza
e uma certeza:
ambas se consumiam.

quarta-feira, março 19, 2008

Aniversário.

Hoje é meu aniversário...

ou melhor, foi ontem. Aliás, meu aniversário acabou há exatos 15 minutos.

Buenas... acordei pensando se a mudança de um dia para o outro acentuaria rugas, denunciaria (de repente!) que um ano se passou, será que a bunda cai porque dia 18 chegou e passou?

Esse dia, que adoro porque AMO receber presentes e atenção e felizes-aniversários e parabéns e etc., muda o quê?

Talvez...
e tão somete talvez
a minha percepção de tempo.

Talvez me faça ver, assim do nada, que o tempo está passando. E que 35 anos viraram 36. E que se eu não tomar cuidado... 36 viram 70. E o cuidado que preciso tomar não é com os anos que passarão (espero!), mas com o que farei neles.

Realizar.
Crescer.
Aparecer.
Satisfazer.
Ser mais eu.
Ser mais feliz.
Ensinar, sendo feliz, a felicidade aos meus filhos.
Proporcionar, sendo feliz, a possibilidade de meu marido também ser feliz.
Estagnar, nunca.
Desistir, nem pensar.
Estar aqui... estar em todos os lugares... estar aonde eu desejar estar.

Ser livre.
Ser.
E em 36 anos... taí!
De alguma forma, entre os famosos altos e baixos (e os eternos clichês), sou livre.
Porque sempre busco esse sentimento.
Esteja onde estiver.

E você?
E todos?
O que pensam e o que buscam quando mais um aniversário chega?
Além de assoprar velas, esperar telefonemas ou recados, planejar uma comemoração qualquer... o que sentem quando o ano passa e você percebe que ainda é o mesmo? Ou que talvez seja até diferente do ano passado, mas não por causa de um dia...

por causa de uma vida. Dia a dia.

No meu aniversário, eu desejo a todos...

FELICIDADES.

domingo, março 16, 2008

Parede de vidro

Não sei dizer
como o vi ali.
Ali estava eu,
ali estava ele
e a parede de vidro

E "oi" que se formou
morreu no barulho
da rua,
dos carros,
freios e gritos

Não importava
saber quem éramos
até ali.
Depois de ali,
veio o que era preciso

A vaga deu coragem
ao "oi" que foi dito.
Dentro da garagem,
abaixamos o vidro
e sem a parede
o "oi" foi ouvido.

Um café, lá fora um cigarro.
Cinzeiro, um cartão
e um sorriso.
Seu rosto já não era tão novo,
o meu nem era tão bonito.
Mas nós, como quis o destino.

Enfim.

sábado, março 15, 2008

Paixão 800x600

por Ana Marques

Houve um tempo em que se conheciam. Foi nas coincidências da vida, ou melhor, da Internet que o primeiro e-mail se cruzou. Houve identificação, mas cada um deles - imersos que estavam em sua própria vida - apenas pressentiram o que estaria por vir.Um dia, entre conversas no chat, e-mails e troca de idéias, trocaram fotos. Olharam nos olhos parados da tela, e se apaixonaram: paixão em 800 x 600. Dias depois combinaram de se ver.

Ela foi esperá-lo, pois ele vinha de longe. A Internet tem dessas, não escolhe distância entre amantes.

Ele ainda não podia vê-la, e pôde apreciá-lo de longe: ar cansado, sorriso de expectativa, óculos e o violão. Ele estava todo de preto, claro. Ficou olhando para ele, e soube que naquele momento sua vida havia mudado. Depois de alguns minutos, deixou que ele a visse e foi ao seu encontro. A paixão, já desencadeada, floresceu: encontros, partidas, telefonemas diários, conversas via computador. Valia qualquer recurso para matar a saudade e conhecer um pouco mais do outro.

Porém, ninguém queria realmente conhecer ninguém. Paixão idealizada tem sabor de perfeição, de chocolate que derrete na boca e a gente finge que não tem calorias. Dessa forma, foram inventando, criando, colocando um no outro qualidades que não sabiam se existiam. Defeitos e brigas eram imaginados, a distância vencida no primeiro encontro favorecia o crescimento da ilusão. A ilusão cresceu forte, o amor também.

Um dia, esse par de Eros e Psiquê, acendeu a vela e viram-se um ao outro. Dia a dia essa vela começou a revelar o que nenhum dos dois queria ver, podia ver, sabia ver: suas limitações, belezas e travessuras. As pequenas rabugices foram crescendo... tal fermento agindo em massa no forno quente fez crescer e quase derramar. Não se podia apagar a luz, nem havia como esquecer o que se tinha visto: o estado anterior de ingenuidade fora perdido. Aos poucos foram se afastando e, tudo que antes os unia agora era motivo de separação. Tristeza travestiu-se de comodismo para poder segurar a onda gigantesca que assolava os olhos de cada um. A areia nos olhos os cegava, impedindo-os de ver o que existia e o que podia ser feito.

Partiu-se o laço.
Dor e tristeza foram companheiras por muito tempo, a negação delas também.

No entanto, com a dor veio o aprendizado: seguindo a trilha de Psiquê, ambos cumpriram tarefas e desceram aos infernos em busca do segredo da beleza. A beleza que, se aberta, poderia fazer adormecer e penetrar no interior deles mesmos, fazendo-os perceber que era a ilusão que se havia quebrado quando a luz se fez. Eles não tinham perdido um ao outro, tinham se encontrado. Mas tão confusos ficaram com a diferença entre a imaginação e a realidade, que se afastaram cada vez mais, em busca de uma ilusão que os levaria à solidão. Foi preciso descer aos infernos e conhecer seus meandros para que pudessem voltar a se encontrar.

Se encontraram novamente.

Ele estava todo de preto, claro. Ficou olhando para ele, e soube que naquele momento sua vida havia mudado...

quarta-feira, março 12, 2008

Não te falo mais nada.

Não te falo mais nada. Meu corpo não tem espaço para tanta pancada e meu fígado já falha da raiva que eu guardo. Não tenho voz para te acusar, não tenho sangue para me defender. Vivo dos desvios, às vezes rápidos e às vezes lentos, dos tapas que evito e às vezes apanho. Meu corpo sacode no ar, não de alegria e nem de gozo, sacode apenas da surra que me espera ao final de cada dia ruim.

Que vida é essa? A igreja e o padre não respondem. Resigno a mim mesma em orações que não faço. Não vou mais a missa, não acredito em mais nada, e dia a dia a vida segue sem cessar.

E não cessa a pancada, que às vezes chega aos filhos. Filhos esses que também não param de chegar.

Chega.

A odisséia remonta o espetáculo. Retoma o palco e lá vou eu. É mais longa a sessão de porrada e quase por nada eu durmo no chão. O sangue se espalha, eu limpo, cansada, vou passando o pano no chão.

Não te falo mais nada. A boca não abre de tão inchada, os dentes já moles reclamam dentista, comida, dignidade e um pouco de paz. Não tenho mesmo para onde ir, os dentes mesmo que caiam não sujam o chão e me deixo ficar quieta e parada esperando o próximo dia, de paz ou de cão.

E o cão late de fome, crianças desnutridas choram no meu ouvido, o estômago dói de tão vazio. A fome chega de todos os lados, mas a comida faz tempo parou de chegar.

Chega.

Não te falo mais nada. Meu corpo vazio é surrado ao extremo. O coito que agüento não é interrompido e todas as noites tenho de suportar. Seu corpo invade, estupra, machuca. Teu beijo nojento invade minha vida, tua mão suja explora e sacia uma sede de domínio que não posso entender. Entrego a honra que não existe, que vantagem teria em dizer “não”? Tanta pancada, pra quê? Toma essa carne, satisfazer sua fome é a minha função.

Mais uma noite e mais um dia, você me toma em qualquer lugar. Criança que vê, silencia e aprende: cale esse grito, segura esse choro e abre as pernas para o braço não descer. Para teu prazer meu corpo moído não chega, mas prazer para mim há muito parou de chegar.

Chega.

Não te falo mais nada.
Seis tiros no teu peito, também não quero te ouvir.
Crianças na rua, orfanato, abrigo, casa dos avós.
Não te falo mais nada e nem vou te ouvir. Você já era.
Me deu tanta porrada, te dei seis tiros no peito. Eles calaram teus gritos, as tuas ofensas, a dor, a fome e a humilhação.
Se a dor já chega, junto com teu fim, de qualquer jeito essa dor nunca parou de chegar.

Então chega o fim.

quinta-feira, março 06, 2008

Um quinhão de prazer

por Ana Marques - em 21/03/2005

No quinhão que ele trazia, Luiza encontrava alguns segredos. Eram sempre segredos de amor o que ele lhe contava. Alguns ela entendia, outros adivinhava.Como no dia em que ele lhe trouxe um quinhão de bombons, ou aquele do quinhão de risadas. Mas bom mesmo foi o dia do quinhão de beijos, vários e espalhados pelo corpo, alguns causando cócegas, outros arrepios. Ela entendeu bem, mas não soube colocar em palavras. Apenas espiou cuidadosa para ninguém ver, e saboreou cada um deles.

Luiza era muito nova ainda: trabalhava e estudava. Pegava duas horas de conduções entre um e outro, sempre de pé e sempre apertada. Longo caminho até o seu posto diário. Longo caminho até a escola. E depois de lições, sono controlado e alguns trabalhos, longo caminho até em casa. Mas ela não reclamava. Tinha tempo que procurava esconder o brilho nos olhos, muito cedo aprendeu sobrea inveja e decidiu não dar colher de chá para essa atravessada! Pois abaixava os olhos e escondia o quinhão que a esperava no sábado: havia sempre um quinhão de prazer nos segredos descobertos.

Luiza não contava os segredos a ninguém, porque eles pertenciam apenas aos dois. E, ademais, os outros não entenderiam. Como explicar o quinhão de carinho para a mãe seca de dor? Como contar do quinhão de ansiedade para o pai que nada mais ansiava? Como fazer entender o quinhão de sentimentos desencontrados para a irmã já casada e que nunca confidenciou quinhão algum a ela? Não... eles nada entenderiam dos quinhões que o namorado lhe trazia, já olhavam com desconfiança suas visitas, que dirá se soubessem da alegria que isso lhe dava! Antes o silêncio, e ela estava acostumada a ficar quieta mesmo.

Um dia, o quinhão de sangue não veio. O namorado também não trouxe mais quinhão algum. Luiza se viu só, com toda a responsabilidade perante a família. Houve o quinhão de ofensas, de lamúrias, de descaso. Luiza aguentou todos, um por um: era seu quinhão de dor. Sentiu, viveu, aguentou. E veio o último quinhão que o namorado lhe deixou: um quinhão de choro, a quem Luiza deu o nome de Joaquim.

Bem, não era quinhão, mas o final do nome bem lembrava o romance de Luiza.

obs: estou sem tempo para escrever algo novo aqui e nunca tinha publicado essa crônica, resolvi inagurá-la. :)

domingo, março 02, 2008

Dia da mulher - Emancipação feminina, o que é isso mesmo?

O dia da mulher está chegando... todo ano fico de olho nos jornais, nas TVs, nos comentários, para descobrir o que estará sendo feito, como será comemorado esse dia. É sempre importante lembrar que aquilo que nos proporcionam no "nosso dia" é também uma forma de mostrar publicamente qual a real imagem que a sociedade tem da mulher.

Sempre podemos perceber, basta ler nas entrelinhas.

Mas a despeito disso, resolvi falar sobre o assunto evocando minhas eternas fontes de inspiração: o BBB e o site da Globo. Ambos não representam, é claro, a população brasileira, mas ambos tem um alcance gigantesco.

Um dia, vasculhando o site de notícias da Globo, me deparei com uma chamada falando que o (Pedro) Bial havia perguntando aos brothers sobre as maiores conquistas da emancipação feminina. Curiosa, fui ver o vídeo. Triste... claramente ninguém sabia do que o apresentador falava, nem o que comentar ou como debater o assunto. Não acreditam? Então cliquem aqui e vejam por si mesmos.

Assim... ninguém soube falar absolutamente nada! A pílula, a possibilidade de trabalhar fora, o direito ao sexo pelo prazer, o planejamento familiar??? As únicas bobagens faladas versaram sobre mini-saia, biquini e o voto (que como Bial esclareceu, veio MUITO antes da emancipação).


Haviam pelo menos 5 mulheres ali (que eu contei no vídeo) e mesmo assim nenhuma parecia ter idéia do que responder, do que poderia ser essa tal de emancipação. Elas são burras, desinformadas, toscas? Talvez não. As vezes eu me deparo e me agarro a possibilidade que elas desejem parecer mais lerdinhas apenas para se tornarem mais atraentes. Ou talvez tenham dado exclusiva e total atenção à formatação da sua traseira em detrimento de qualquer estímulo aos neurônios. Sabem como é, o que não tem uso atrofia.

Isso me lembra aquele filme "Legalmente Loira" em que Reese Whiterspoon faz uma patricinha estudante de moda e que, abandonada pelo namorado por ser considerada medíocre, resolve provar para ele que pode ser inteligente e consequentemente a esposa dos sonhos. Assim decide entrar em Harvard para cursar direito. Ninguém acredita que ela conseguirá, ninguém a leva a sério, na verdade, até ela duvida um pouco de si mesma e age muito mais para provar que é boa o suficiente para conseguir o casamento com o namorado idiota, do que para buscar uma realização pessoal ou profissional. Ela chega atrofiada na faculdade, óbvio, mas assim que ela percebe claramente que todos a consideram uma piada é que a melhor sacada do filme acontece: ela decide usar a inteligência, mesmo que não abandone a veia de patricinha que insiste em morar nela. E nem precisa. Nenhuma mulher precisa abandonar quem é, como é e a forma como enxerga o mundo e as pessoas apenas para se igualar aos homens. Aliás, nem devem! Ser inteligente não significa não usar maquiagem, usar óculos, esquecer o saltos, abominar o rosa, não gostar de crianças, se recusar a chorar ou qualquer coisa parecida. Somos o que somos, assim como a moça do filme é o que é. E se ela é loira, cor de rosa, malhada e gosta de fazer as unhas... ponto para ela! Nada disso desmerece ou diminui sua capacidade intelectual. E isso o filme deixa quase claro. Quase porque, infelizmente, o filme tem os seus pontos fracos: ganhar o caso por causa de um permanente de cabelos... foi de arrasar com todas as conquistas do roteiro! Tá, tá, tá... foi engraçadinho, mas... ai ai ai eu bem que tive esperanças que houvesse mais feminismo do que humor no final.

Paralelo a isso, tenho visto na mídia uma briga mais do que "importante", ganhando de vez em quando a capa do site da Globo. Passeando por lá, li que a banda (?) que canta (?) a música (?) do "Créu" está tendo problemas de relacionamentos internos e uma alta carga de inveja ocasionada pelo tremendo sucesso da Mulher Melancia. Sendo ela uma figura pública e modelo (?) conceituada (?) está tendo problemas porque as revistas tendem a chamá-la sozinha para entrevistas e sessões de fotos devido a sua abundância de talento, o que estaria gerando um mal-estar dentro do grupo. Essa disputa interna chegou, inclusive, a provocar a declaração de sua prima e companheira de dança (?), que deseja ser conhecida pelo gratificante codinome de Mulher Jaca, dizendo que "é tão gostosa quanto a Mulher Melancia". Declaração importantíssima, não acham? Altamente relevante brigar para saber quem é a fruta mais gostosa a sacolejar no palco ao som da criativa e profunda música "Créu, créu, créu".

Quem não acha que tal desenrolar de novela tupiniquim seja possível, acessem aqui, aqui e aqui e vejam por si mesmos.

O que eu vejo nesse dia da mulher?

Vejo que o trabalho do dia da mulher deve ser feito com as mulheres. Somos nós que ainda educamos filhos machistas, que ainda aguentamos maridos machistas, que não damos valor as nossas conquistas, às nossas opções, ao nosso futuro e ao nosso presente. Somos nós, mulheres, que nos transformamos em objetos sem alma ao concordar numa disputa sobre "quem é a mais gostosa" ou "quem sacode mais a bunda". Somos nós que não damos valor ao que foi por nós conquistado quando sequer sabemos o que significa e qual a importância da emancipação feminina na nossa vida. Somos nós que temos pouca idéia de nosso potencial quando só desejamos entrar numa faculdade para tentar ser "boa o bastante" para um marido potencial.

Mais do que conscientizar a sociedade, ainda é preciso conscientizar as mulheres.

E enquanto isso não acontece, na gente só...

"Vamos, mulherada! Na velocidade cinco, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu, créu".

sábado, março 01, 2008

Perdas - prosa sem sentido noite adentro.

As vezes acredito que deixei mais nas linhas do meu diário do que me lembro, perdido no tempo da minha infância. Sim, porque era eu infante aos doze, aos treze, ao vinte e ainda o sou hoje aos trinta e cinco.

Que prazer eu trouxe ao presente que não seja mesclado de passado? Que alegria que cobre a fronte, que não tenha raízes nas bonecas que acalentei?

Se a vida é feita de passado, o passado é feito de perdas.

Logo, o que perdemos se torna tão presente que nos é difícil viver sem elas.
Venham perdas, voltem. Ou não.
Talvez não.
Fiquem.
Se não as perder, como vou continuar sentindo-lhe a falta e assim continuar a povoar a minha vida de ausências?

Fiquem ausentes, minhas perdas. Meus passados não esquecidos, não voltem!
Não tenho espaço no meu vazio para vocês.
Meu vazio está preenchido de saudade.

E sem a saudade que me move adiante, o meu caminho estaria repleto, e se repleto estivesse... que espaço sobraria para mim?